Postado por Carlos Cotter
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26/04/2012
ATREVE-TE A LER - março
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Literatura
Na turma B do 7º ano, as alunas Beatriz Amaro, Mafalda Pereira e Maria João, com a coordenação da sua professora, Margarida Costa, obtiveram o 1º prémio, com a análise crítica e estética da obra "História de uma gaivota e do gato que a ensinou a voar" de Luís Sepúlveda.
21/04/2012
FOTOGRAFIA da SEMANA
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História,
Incentivo à Leitura,
Literacia,
Literatura
Não estamos a ver nem a olhar para ‘A Persistência da Memória’ de Dali e,
no entanto, a memória persiste.
Tantos de nós observamos e vemos, através desta imagem, um tempo de
infância em que fomos meninos de muitos porquês, de muitos gestos repetidos, de
palavras ensonadas, de ‘respeitosos medos’, de tantos ‘Dá licença, Minha
Senhora?’, de silêncios sem respostas.
Símbolos e ícones de um País, num tempo parado e tristonho, ritmado por
rotinas feitas valores inquestionáveis. Jesus, crucificado, Símbolo dos
Símbolos, era contado como o Salvador de todos os males que as nossas almas já
tinham feito, nos primórdios da, ainda, não existência…
Depois lá estavam os outros salvadores e garantes das nossas vidinhas. Os
Chefes da Nação. Comandavam e todos (quase todos…) obedeciam; até o relógio marcava
generosamente um tempo certinho, de dez e dez. Capicua e harmonia perfeita.
Esta composição tão certinha até deixa espaço à imaginação para
desenharmos triângulos maçónicos, secretos, perturbados pelo quadro negro onde,
à força de mais ou menos palmatórias íamos desfilando o rosário do saber ler,
escrever e contar. Líamos, escrevíamos, contávamos. Depois…..
Não podemos ignorar…..
Mesmo sem Dali, ainda temos as memórias que persistem.
Foto: Osvaldo Castanheira
Texto: Maria dos Anjos Fernandes
Postado por Carlos Cotter
14/04/2012
FOTOGRAFIA da SEMANA
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Literacia,
Literatura
E afinal
onde está o mar?
Neste caminhar apenas o podemos imaginar. Se eu fosse mar
também não queria ali estar. Se eu fosse caminhar nesta estrada de ‘oleo’ ou
‘gasodutos’, julgar-me-ia numa terra de ninguém, terra de passagem, não de paisagem…
essa está apenas na areia-chão que circular ficou. Em círculo são os anéis que
marcam afetos. Não servem para Ele que faz do seu caminho estrada reta e
paralela, ‘circuncaminhando’. E parece que temos uma infinidade de percursos
clonados. Mas não serão estes caminhos apenas a repetição do mesmo, clones de
clones, passos de passos? Se um dia quisermos ir para terras de miragens,
teremos de fazer estes percursos? Teremos de caminhar em círculo, andando,
andando para não sairmos do nosso estar e do nosso lugar?
E o mar? Afinal, onde está o mar?
Talvez no olhar, talvez dentro do olhar…
Foto: Osvaldo Castanheira
Texto: Maria dos Anjos Fernandes
Postado por Carlos Cotter
19/03/2012
FOTOGRAFIA da SEMANA
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G. Orwell,
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Literacia,
Literatura
“Guerra é Paz,
Liberdade é Escravidão, Ignorância é Força”, as palavras de ordem inscritas no
Ministério da Verdade, que vinham várias vezes à lembrança de Winston em ‘1984’, de G. Orwell, podiam ser
as palavras pensadas por este solitário a quem tamanha missão deram.
Missão de aplanar o
mar! Como se este pudesse transformar-se em chão sólido, já que estradas
líquidas nele existem! Este homem está só com a sua máquina, no estranho
labirinto interior em que se transformou esta imensidão de areia lisa de coisa
nenhuma. Diz a canção que o mar, quando bate na areia desmaia, mas tantos
desmaios constantes já teriam levado à não-existência e, nem mar nem praia
existiriam, se apenas canção a canção não fosse.
Não, este homem não
leu Orwell, este homem nem sabe cantar, este homem sabe apenas a tarefa que lhe
deram, sem a compreender, sabe também que o mar há de voltar e areia trazer e
areia levar. Como este homem e esta máquina, enormes na sua insignificância,
assim estamos todos, perante a incongruência verídica do slogan no Ministério
da Verdade: a Paz do mar que caminhos deu pode ser a guerra dos homens; a
Liberdade das ondas que altas enrolam vai trazer a escravidão das máquinas mas
a Ignorância que permite ver não pode esconder a força de tudo querer.
Há mar e mar…. há ir e
voltar…. E o poder para tudo isto ser?
O poder? Esse, diria
Winston, esse vem de Deus!
Foto: Osvaldo Castanheira
Texto: Maria dos Anjos Fernandes
Postado por Carlos Cotter
10/03/2012
FOTOGRAFIA da SEMANA
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Experimentemos
duas possibilidades para visualizarmos esta imagem que, por ser imagem,
estática está.
Pensemos
observá-la na margem oposta do lago. Veremos pessoas numa combinação perfeita
de momentos, quiçá descritos por Thomas Mann na sua Montanha Mágica em que o
espírito e a natureza andam a par com a saúde e a doença, numa primavera ou
verão alpinos, fazendo do tempo da espera de desfechos quase sempre
previsíveis, um tempo de ilusões para projetar o futuro que é sempre um tempo
inexistente porque, quando lá chegamos, é sempre o presente que se transforma
impreterivelmente em passado.
Mas a
quietude do lago e das árvores, onde não observamos ventanias nem as
tempestades interiores, abraça a serenidade postural de quem observamos e a nós
não vê porque não estamos lá. Mesmo que estivéssemos, teríamos olhos de
silêncio, atentos apenas ao essencial. E este essencial deslumbraria pela
perfeição de momentos irrepetíveis entre Homem e Natureza.
Podemos
supor que estamos no lado oposto e observamos tudo o que à nossa frente está,
coincidente com quem está e nos volta as costas. Então, surge-nos a analogia
com os Buendía que G. Garcia Márquez nos leva a supor viverem em Macondo, terra
dos cem anos de solidão. Ali estão eles, todos os ‘José Arcádio’, todos os
‘Aureliano’, todos os ‘Melquíades’, todas as ‘Úrsula’, todas as ‘Amaranta’ de
costas para o exterior de si próprios, acreditando que aqueles bancos e árvores
parados no tempo e no espaço são a sua casa abençoada, que é naquele lago que
está a possibilidade alquímica de ouro obter.
Mais
importante que o ouro será o encontro que determina o fim da procura: cada um
se pode rever num lago – espelho onde passado, presente e futuro coexistem na
visão hedonista em que pode existir um elixir permanente de ser. Ser com o
Outro, de Si e Para Si!
Eis o
Santo Graal de cada um de nós.
Não o
procuremos.
Se
quisermos, encontramo-lo no pensar e no ser que vamos sendo.
Basta
que não tenhamos pressa e nos sentemos num qualquer lugar assim, imaginando que
chegamos ao Paraíso.
Foto: Osvaldo Castanheira
Texto: Maria dos Anjos Fernandes
Postado por Carlos Cotter
04/03/2012
FOTOGRAFIA da SEMANA
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A
dimensão onírica que é conveniente termos, leva-nos a reinos do imaginário que
criamos ou que interpretamos.
Nem
sempre é fácil sairmos do paradigma do pensamento muito racional, estereotipado
em símbolos e determinado por mais ou menos preconceitos e modelos
interpretativos da realidade.
A
tecnocracia e o pragmatismo estão na ordem do dia e vão relegando para os
confins da ‘Terra do Nunca’ algum assomo de diferença.
Não
obstante, a imaginação, o insólito, o improvável, surgem.
Se
olharmos bem a beleza aparece perante nós, se quisermos colocar em ação o
essencial da essência que somos: seres de cinco sentidos funcionais e
estruturantes do real; mas seres que têm também inúmeras possibilidades de
cumprir a dignidade da humanidade com que este mundo nos recebe e nele mantém.
É nessa perspetiva que podemos ambicionar ir para além do tempo calendarizado e
do espaço delimitado que nos acolhem. Se conhecemos e pensamos, também sentimos,
temos afetos e experimentamos emoções; atrevemo-nos a imaginar. Podem ser
subtis as diferenças com que vemos e estamos no Mundo mas, qual passo de
Armstrong ou um pequeno ovo de Colombo, podem modificar o Cosmos e a nós
próprios, na realidade construída.
Não
estranhemos pois este Livro que de madeira parece, assente na representação
esférica do Mundo que o sustém.
Pensando
bem, o Mundo tudo comporta. No limite, aceitemos o instante zero da explosão
inicial e a libertação máxima de energia que tudo já continha, que a tudo deu
origem e que de novo tudo incorpora e transforma. Já comportava este Livro!
Ah, o
melhor de tudo é aceitarmos que também lá estávamos como homo-sapiens-demens
com a nossa capacidade demiúrgica e única de criação que nos faz pensar que, se
das árvores é feito o papel, por que não o papel ser árvore transformada em
Livro, para nele se escreverem estórias, recados, momentos, desenhar corações
que Cupido manda terem setinhas certeiras ao coração do Outro?
Foto: Osvaldo Castanheira
Texto: Maria dos Anjos Fernandes
Postado por Carlos Cotter
27/02/2012
FOTOGRAFIA da SEMANA
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Literatura
Este Fernando Pessoa não está na Ilha dos
Amores.
Incógnito
viajou e foi avistado por ursos polares, detetado por radares, filmado assim a
tremer de frio, com a imaginação congelada num corpo sem nomes, nesta cor e
rigidez com que se nos mostra.
Pessoa-
personna- máscara, onde esconde personagens, heterónimos e ortónimos que em
teatros de palavras nos deixou.
Pessoa (s) que em palavras de prosa ou poesia se refugiam para nos
falarem numa ‘Mensagem’ muito para além da dor e do Cabo Bojador.
Pessoas ridículas que escrevem cartas de amor ridículas e se tornam
ridículas por pessoas –personnas- de amor serem.
Este
pessoa, como cidadão exemplar, antecipou-se no tempo e emigrou, cumprindo os
desígnios do progresso futuro que não verá.
Tal como está, vêmo-lo na Lapónia, esperando trenós e renas, guiando os
meninos para a casa do Pai (Natal de seu nome).
Também espera outros, aqueles que não sabem que as cartas chegam como o
pensamento, através do vento.
Espera também aqueles que as não escrevem e que, para sempre, serão
apenas ‘ridículos’….
Foto: Osvaldo Castanheira
Texto: Maria dos Anjos Fernandes
Postado por Carlos Cotter
14/02/2012
A Semana da Leitura já foi...
SEMANA da LEITURA 2012
06 a 10 de fevereiro
No inexorável ritmo do tempo,
a Semana da Leitura já foi…. Alguns alunos perguntam na BE: ‘porque não há mais semanas assim?’
A resposta é óbvia. Na escola
há outras aprendizagens programadas, com calendários e planificações bem
definidas e a cumprir. Porém, de vez em quando, há diferenças no tempo, no
espaço, na forma de partilha de saberes, que permitem à Comunidade
Escolar/Educativa algumas metamorfoses de excelentes resultados.
Programa vasto e variado que
se cumpriu com a satisfação de todos os intervenientes. Direção, E. Educação,
Pais, Avós, Familiares, Autarcas, Alunos, Professores, Equipa da BE, Responsáveis
pelos Clubes, Concursos, Exposições, Escritores, todos estiveram e vieram e partilharam
saberes, sentires, proporcionando a aquisição de novos saberes e
competências.
Nenhuma Atividade merece destaque pela excelência porque todas o
foram.
Mas, pela magia da partilha,
cooperação e solidariedade, fica o testemunho de alguns alunos do 4º ano do E.
Básico, do Agrupamento de Escolas António Sérgio (Esc. EB N. Sra da Anunciação
e Esc. EB Quinta da Fidalga) que vieram visitar a exposição e participar na
Leitura Expressiva do “Principezinho”, trabalhos realizados pela turma
9º+ e outras turmas do mesmo ano.
Esta foi a obra selecionada
para o concurso “ATREVE-TE A LER” de janeiro que a BE implementa desde o
ano letivo transato. Vista a exposição e ouvidas as diversas estórias do
Principezinho na Terra, em locais desde Sintra à Muralha da China, os meninos,
partilhando a magia do conto e a inocência daquele principezinho, escreveram o
que sentiram no entendimento de mundos encantados…. Eis alguns exemplos: ‘O Principezinho ensinou-me que não devemos
ficar à espera do que queremos. Devemos tentar alcançar o que queremos!’; ‘A
história é tão divertida e alegre que me inspirou para viajar para o deserto e
para o B 325!’; ‘A história ensinou-me que podemos fazer amigos em qualquer
lugar!’; ‘Eu gostei muito da história porque aprendi que a amizade é muito
importante!’; ‘Eu aprendi que, às
vezes, as pessoas não nos entendem…!’; ‘Senti que o principezinho tinha um bom
coração!’; ‘Eu acho que o principezinho vivia num asteroide porque adorava ver
a Lua!’;…
Que dizer mais?
Algumas fotografias da Semana lembram-nos como valeu a pena. Só nos resta
agradecer a TODOS os que nela participaram.
Em nome da Direção, das Coordenadoras do PNL, dos Professores e Alunos,
de todos os participantes, da Equipa da BE:
BEM HAJAM!
Postado por Carlos Cotter
12/02/2012
FOTOGRAFIA da SEMANA
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Neste momento, este Menino é o
Senhor do Mundo!
Este Menino, com o rosto e as
mãos que todos os meninos têm, segura o Mundo; seu e de mais ninguém.
Anacronismo eficaz no absurdo de
saber quem é de quem: se é o Menino do Mundo, já que no Mundo está; ou se é
dele o Mundo e, quem sabe, o conquistará.
Alguém deu este Mundo ao Menino;
alguém deu este menino ao Mundo.
Podemos supor a mesma
coincidência na dádiva e no amor de um para o outro, de um no outro, de um com
o outro.
Qual o tesouro maior?
O Mundo, tesouro do Menino que o
abraça como se Atlas-deus fosse, ou o Menino que está no Mundo Tesouro para
nele viver, crescer e Ser e aprender a ‘Fazer-Preservar’ para ‘Ter e Amar’?
Diria Ali-Bábá: Cresça o Menino e
não desapareça o Mundo!
Foto: Osvaldo Castanheira
Texto: Maria dos Anjos Fernandes
Postado por Carlos Cotter
05/02/2012
FOTOGRAFIA da SEMANA
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Uma vez li algures que o Amor
não tira férias, quando muito, faz horas extraordinárias….
Se olharmos e quisermos ver
bem, parece que é o que acontece aqui.
Já o sol se foi deitar, já a
noite vem de mansinho depois do entardecer e eles não arredam pé deste sítio
que nos faz lembrar que por ali passou uma fada, patroa bondosa, que os
aconselha a não tirar férias (não há périplos nem destinos ideais para o amor
fora dos corações) e a continuarem as horas sempre extraordinárias da
manifestação dos Afetos. A água da purificação lá está como que a batizá-los
para o percurso da caminhada. E o céu também, qual estrada de Santiago, que os
leva a superar as habituais regras.
Não se vê o sítio onde a Bela
Adormecida descansava, não se vê o caminho que este Príncipe percorreu.
Apenas se veem as mãos que se
enlaçam, se agradecem, se enobrecem.
Não se veem os ritmos
cardíacos e a suavidade das promessas que fazem.
Não se ouvem os sussurros
indizíveis e não nos é dado observar os sorrisos sagrados que trocam nos
silêncios.
Mas podemos supor que relembram
todos os pressupostos de qualquer Merlim, que são Lancelot e Guinevere, que já
foram Romeu e Julieta.
Não tiram férias. Apenas
tentam parar o tempo.
Afinal, para o Amor as horas
são todas extraordinárias….
02/02/2012
Uma estória linda.
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The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore from Moonbot Studios on Vimeo.
Postado por Carlos Cotter
31/01/2012
PROGRAMA da SEMANA da LEITURA
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Teatro
--- exposição de trabalhos sobre a obra
“O Principezinho”, elaborados por alunos do 9º ano da Profª Antónia Palmeiro na
BE;
--- exposição de trabalhos de alunos do 3º Ciclo das professoras Isabel Vieira e Margarida
Costa no Átrio Principal.
Produzido e postado por Carlos Cotter
21/01/2012
FOTOGRAFIA da SEMANA
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James
Dean, ao contrário do habitual, não queria sair naquela noite. Algo lhe dizia
que as ruas da cidade estavam a abarrotar de insaciáveis, que não haveria lugar
onde pudesse deixar parte da sua irreverência e, exceto a cerebral, a física
tinha de ser arrumada nalgum lado…
Mas
uma força interior, aquela que não lhe obedecia quase nunca, levou-o mesmo para
o ar da noite, com alguma confiança no destino que os destemidos não temem. As
Festas e algumas festas eram um álibi que não o deixava descansar a curiosidade
do que poderia acontecer.
E
saiu. Velozmente foi percorrendo destinos, o seu e de tantos outros… e as ruas
apinhadas na Big Apple. Nada de novo!
De
facto, tudo se confirmava. Que fazer? Levava-se a ele e à sua irreverência de volta
a casa ou tentava o impossível?
Decidiu
pela segunda hipótese e encontrou, vá-se lá saber porquê, um adorador de candeeiros
que, encostado a um, ia desfiando um rosário de desabafos que só ele entendia,
mas que lhe prometeu, a troco de uns minutos de uma loucura sã e partilhada,
guardar-lhe a motinha….
Conversaram
muito, trocaram tanta palavra, que descobriram ao fim de um par de horas que a
noite tinha valido a pena.
James
Dean não chegou a cumprir o programa das festas a que tencionava submeter-se. Extasiado
com o despontar do amanhecer, decidiu voltar à terra dos seus sonhos….talvez
dormir.
Quanto
ao adorador de candeeiros, também decidiu regressar ao lugar de outros sonhos.
Naquela noite, Vasco Santana deu por bem empregue, mesmo sem perceber quase nada
de Inglês, ter saído do Parque Mayer e ter ido falar com um candeeiro a Nova
Iorque.
Foto: Osvaldo Castanheira
Texto: Maria dos Anjos Fernandes
Postado por Carlos Cotter
15/01/2012
FOTOGRAFIA da SEMANA
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Estas duas janelas perderam
toda a essência de ser ‘janelas’.
Por elas não entra luz, nem sol, nem calor, não há nenhum
gato a espreitar-nos e a aquecer-se ao sol, não há ninguém que se debruce a ver
passar o tempo e a mostrar que está lá e a janela é sua.
De cada uma destas janelas, nada se consegue ver. Os tijolos
são opacos. Nenhum olhar deixam sair, nenhum olhar deixam entrar.
Podemos supor que estas janelas foram a alma de casas-lares, por onde entraria o
mundo. Podemos supor que seriam habitadas e haveria móveis e conversas
sussurradas em volta de mesas sumptuosas…
Também podemos supor mães a embalar os seus meninos que
choravam ou riam pela beleza de coisa
nenhuma, apenas pelo afago do amor supremo.
Depois veio o tempo de um futuro vazio e todos se foram. As
mães e seus meninos, os pais e seus gatos.
As conversas pararam e lá dentro ficaram hologramas
fantasmas de coisa nenhuma.
E tijolos vieram, e tijolos ficaram, e tijolos colaram.
Por estas janelas já ninguém vê: nem de dentro para fora,
com o mundo a espraiar-se, nem de fora para dentro, com o coração a bater, por
querer saber, por querer saber….
Foto: Osvaldo Castanheira
Texto: Maria dos Anjos Fernandes
Postado por Carlos Cotter
07/01/2012
FOTOGRAFIA da SEMANA
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Este vestido é tão lindo ou emblemático que merece estar sem corpo.
Segura-se sozinho, o corpo que vestiu não está lá mas ainda lhe dá o suporte
das formas, da elegância, da cerimónia em que foram juntos: o vestido e o corpo
dela.
Foi num baile de gala, em Viena, para dançar nos Salões de Sissi.
Foi num baile de gala, em Viena, para dançar nos Salões de Sissi.
Foi no baile da Rosa, sem Grace, mas junto à triste e bela Carolina.
Foi num jantar na Ajuda, com embaixadores a elogiarem o estilismo
nacional….
Foi no Moulin Rouge, num espetáculo de Can-Can que ele ofereceu a ela
e a pediu em casamento (ela aceitou….).
Foi num jantar romântico, com som de violinos, e o vestido despiu-se
sem se despedir dela…
Foi em Casablanca, quando o vestido e Ilsa (Ingrid Bergman)
dançaram com
Rick (Humphrey Bogart), ao
som de ‘As time goes by’.
Mas isto é tudo uma grande metáfora para exercitar a nossa imaginação.
É que este vestido é o tal: Ícone que vestiu a fadista do FADO –
português - , elevado Património Imaterial da Humanidade.
Então, vestimos o vestido?
Foto: Osvaldo Castanheira
Texto: Maria dos Anjos Fernandes
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02/01/2012
FOTOGRAFIA da SEMANA
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Na Bíblia é-nos dado um conselho
tão simples, quanto sábio – divinamente: “Se
tiveres olhos vê, se não puderes ver, repara.”
Não sei qual o preferível:
- Se ser a suposta Mãe que dá a
ver a lista quase infindável de explicações e motivos que representaram
uma Guerra Mundial que dizimou milhões de corações a bater e corpos torturados
e mortos, se ser o suposto filho que só pode ainda reparar naquela imensidão de frases, sem poder ainda perceber a
dimensão horrenda da barbárie.
Quase podemos ouvir as explicações pedagógicas da Mãe.
Não será difícil aceitar apenas uma leitura simples, pautada aqui e
ali, por alguma explicação mais realista. Mas só isto já é terrível, não haverá
tempo no passeio para falar da insanidade dos senhores de braço estendido, dos
medos de Anne Frank, na desobediência audaciosa de Aristides de Sousa Mendes,
numa cruz suástica bem explicadinha….
Quase podemos ouvir os ‘Ah!’ do
menino, filho aprendiz da memória dos horrores. Talvez na sua imaginação vá pensando:
“que bom eu ainda não ter nascido, que
bom só ouvir falar a Mãe, que bom apenas saber que houve outros meninos com
outros nomes que estiveram lá e agora já não estão aqui, e eu não sei muito bem
porque lhe fizeram mal”. Mas fico triste.
Porquê Mãe? Também não sei muito bem Mãe, porque estas palavras que
falam da Guerra (Como é uma Guerra Mãe?
Os filhos ficam sem pais ou são os pais que ficam sem filhos?), têm de ser
arte e porque estas explicações se chamam ‘A
Arte da Guerra’!
É a brincar Mãe?
Foto: Osvaldo Castanheira
Texto: Maria dos Anjos Fernandes
11/12/2011
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Às vezes a solidão tem rosto e forma. Também tem contexto e estórias. Às vezes a solidão pode lembrar-nos, de forma tão triste quanto real, a nossa incapacidade em transformá-la. Qual será a cor da solidão? Parece estar sol, vemos o colorido da camisola, do verde das árvores que beijam o azul celeste, vemos as telhas que abrigaram outros telhados em tempo de vendavais e depois…. vemos a obrigação de parar por ali. Parar de sorrir, parar de passar, parar de sonhar. Parar. Esperar. Solidão, vazio que enche o espaço de coisa nenhuma. Solidão, ausência de sons. Solidão, solitária espera de ninguém. Solidão, bengala muda que só ampara. Solidão no olhar, solidão no estar. Solidão de sol nas gripes de inverno. Solidão de passos, solidão de estórias, solidão sem cor, solidão de dor.
Foto: Osvaldo Castanheira
Texto: Maria dos Anjos Fernandes
03/12/2011
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Na Negra Praça que não está lá, existe uma mulher que não se vê, nem dela se tem qualquer perspetiva.
Na Negra Praça está um andróide vindo do espaço e regressa ao passado para nos olhar.
Na Negra Praça podemos ver o espelho que estilhaçou e nesta caixa de letras se transformou.
A Negra Praça é um jornal de vidro, cheiinho de letras e nos confronta com aquilo que se não lê.
Na Negra Praça estamos todos nós, perdidos num espaço cúbico e fechado.
A Negra Praça é a morada da humanidade, estás tu e eu e Madre Teresa e Lady Di e Picasso e Delacroix e David Hume, também Dali. Já partiu Freud das ‘esquisitices’ e James Joyce foi a Paris. Simone namorou lá Sartre e Alexandre Magno inventou batalhas. E vieram tribos, ciganos e nómadas, astecas e maias, todos lá ficaram.
E a Negra Praça encheu-se de gente que nunca lá esteve, porque não podia.
Num jornal de vidro só cabem fantasmas e notícias cruas de obituários.
Nesta Negra Praça tão transparente, cabe a humanidade, tu e eu e eles e toda a gente….
Foto: Osvaldo Castanheira
Texto: Maria dos Anjos Fernandes
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