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26/04/2012

ATREVE-TE A LER - março

Na turma B do 7º ano, as alunas Beatriz Amaro, Mafalda Pereira e Maria João, com a coordenação da sua professora, Margarida Costa, obtiveram o 1º prémio, com a análise crítica e estética da obra "História de uma gaivota e do gato que a ensinou a voar" de Luís Sepúlveda.








Postado por Carlos Cotter

21/04/2012

FOTOGRAFIA da SEMANA


Não estamos a ver nem a olhar para ‘A Persistência da Memória’ de Dali e, no entanto, a memória persiste.
Tantos de nós observamos e vemos, através desta imagem, um tempo de infância em que fomos meninos de muitos porquês, de muitos gestos repetidos, de palavras ensonadas, de ‘respeitosos medos’, de tantos ‘Dá licença, Minha Senhora?’, de silêncios sem respostas.
Símbolos e ícones de um País, num tempo parado e tristonho, ritmado por rotinas feitas valores inquestionáveis. Jesus, crucificado, Símbolo dos Símbolos, era contado como o Salvador de todos os males que as nossas almas já tinham feito, nos primórdios da, ainda, não existência…
Depois lá estavam os outros salvadores e garantes das nossas vidinhas. Os Chefes da Nação. Comandavam e todos (quase todos…) obedeciam; até o relógio marcava generosamente um tempo certinho, de dez e dez. Capicua e harmonia perfeita.
Esta composição tão certinha até deixa espaço à imaginação para desenharmos triângulos maçónicos, secretos, perturbados pelo quadro negro onde, à força de mais ou menos palmatórias íamos desfilando o rosário do saber ler, escrever e contar. Líamos, escrevíamos, contávamos. Depois…..
Não podemos ignorar…..
Mesmo sem Dali, ainda temos as memórias que persistem.



Foto: Osvaldo Castanheira
Texto: Maria dos Anjos Fernandes


Postado por Carlos Cotter

14/04/2012

FOTOGRAFIA da SEMANA


E afinal onde está o mar?
Neste caminhar apenas o podemos imaginar. Se eu fosse mar também não queria ali estar. Se eu fosse caminhar nesta estrada de ‘oleo’ ou ‘gasodutos’, julgar-me-ia numa terra de ninguém, terra de passagem, não de paisagem… essa está apenas na areia-chão que circular ficou. Em círculo são os anéis que marcam afetos. Não servem para Ele que faz do seu caminho estrada reta e paralela, ‘circuncaminhando’. E parece que temos uma infinidade de percursos clonados. Mas não serão estes caminhos apenas a repetição do mesmo, clones de clones, passos de passos? Se um dia quisermos ir para terras de miragens, teremos de fazer estes percursos? Teremos de caminhar em círculo, andando, andando para não sairmos do nosso estar e do nosso lugar?

E o mar? Afinal, onde está o mar?

Talvez no olhar, talvez dentro do olhar… 


Foto: Osvaldo Castanheira
Texto: Maria dos Anjos Fernandes

Postado por Carlos Cotter


SEMANA das ARTES na FERREIRA





Postado por Carlos Cotter

19/03/2012

FOTOGRAFIA da SEMANA



“Guerra é Paz, Liberdade é Escravidão, Ignorância é Força”, as palavras de ordem inscritas no Ministério da Verdade, que vinham várias vezes à lembrança de Winston em ‘1984’, de G. Orwell, podiam ser as palavras pensadas por este solitário a quem tamanha missão deram.
Missão de aplanar o mar! Como se este pudesse transformar-se em chão sólido, já que estradas líquidas nele existem! Este homem está só com a sua máquina, no estranho labirinto interior em que se transformou esta imensidão de areia lisa de coisa nenhuma. Diz a canção que o mar, quando bate na areia desmaia, mas tantos desmaios constantes já teriam levado à não-existência e, nem mar nem praia existiriam, se apenas canção a canção não fosse.
Não, este homem não leu Orwell, este homem nem sabe cantar, este homem sabe apenas a tarefa que lhe deram, sem a compreender, sabe também que o mar há de voltar e areia trazer e areia levar. Como este homem e esta máquina, enormes na sua insignificância, assim estamos todos, perante a incongruência verídica do slogan no Ministério da Verdade: a Paz do mar que caminhos deu pode ser a guerra dos homens; a Liberdade das ondas que altas enrolam vai trazer a escravidão das máquinas mas a Ignorância que permite ver não pode esconder a força de tudo querer.
Há mar e mar…. há ir e voltar…. E o poder para tudo isto ser?
O poder? Esse, diria Winston, esse vem de Deus!

Foto: Osvaldo Castanheira
Texto: Maria dos Anjos Fernandes
Postado por Carlos Cotter

10/03/2012

FOTOGRAFIA da SEMANA



Experimentemos duas possibilidades para visualizarmos esta imagem que, por ser imagem, estática está.
Pensemos observá-la na margem oposta do lago. Veremos pessoas numa combinação perfeita de momentos, quiçá descritos por Thomas Mann na sua Montanha Mágica em que o espírito e a natureza andam a par com a saúde e a doença, numa primavera ou verão alpinos, fazendo do tempo da espera de desfechos quase sempre previsíveis, um tempo de ilusões para projetar o futuro que é sempre um tempo inexistente porque, quando lá chegamos, é sempre o presente que se transforma impreterivelmente em passado.
Mas a quietude do lago e das árvores, onde não observamos ventanias nem as tempestades interiores, abraça a serenidade postural de quem observamos e a nós não vê porque não estamos lá. Mesmo que estivéssemos, teríamos olhos de silêncio, atentos apenas ao essencial. E este essencial deslumbraria pela perfeição de momentos irrepetíveis entre Homem e Natureza.
Podemos supor que estamos no lado oposto e observamos tudo o que à nossa frente está, coincidente com quem está e nos volta as costas. Então, surge-nos a analogia com os Buendía que G. Garcia Márquez nos leva a supor viverem em Macondo, terra dos cem anos de solidão. Ali estão eles, todos os ‘José Arcádio’, todos os ‘Aureliano’, todos os ‘Melquíades’, todas as ‘Úrsula’, todas as ‘Amaranta’ de costas para o exterior de si próprios, acreditando que aqueles bancos e árvores parados no tempo e no espaço são a sua casa abençoada, que é naquele lago que está a possibilidade alquímica de ouro obter.
Mais importante que o ouro será o encontro que determina o fim da procura: cada um se pode rever num lago – espelho onde passado, presente e futuro coexistem na visão hedonista em que pode existir um elixir permanente de ser. Ser com o Outro, de Si e Para Si!
Eis o Santo Graal de cada um de nós.
Não o procuremos.
Se quisermos, encontramo-lo no pensar e no ser que vamos sendo.
Basta que não tenhamos pressa e nos sentemos num qualquer lugar assim, imaginando que chegamos ao Paraíso.

Foto: Osvaldo Castanheira
Texto: Maria dos Anjos Fernandes

Postado por Carlos Cotter

04/03/2012

FOTOGRAFIA da SEMANA


A dimensão onírica que é conveniente termos, leva-nos a reinos do imaginário que criamos ou que interpretamos.
Nem sempre é fácil sairmos do paradigma do pensamento muito racional, estereotipado em símbolos e determinado por mais ou menos preconceitos e modelos interpretativos da realidade.
A tecnocracia e o pragmatismo estão na ordem do dia e vão relegando para os confins da ‘Terra do Nunca’ algum assomo de diferença.
Não obstante, a imaginação, o insólito, o improvável, surgem.
Se olharmos bem a beleza aparece perante nós, se quisermos colocar em ação o essencial da essência que somos: seres de cinco sentidos funcionais e estruturantes do real; mas seres que têm também inúmeras possibilidades de cumprir a dignidade da humanidade com que este mundo nos recebe e nele mantém. É nessa perspetiva que podemos ambicionar ir para além do tempo calendarizado e do espaço delimitado que nos acolhem. Se conhecemos e pensamos, também sentimos, temos afetos e experimentamos emoções; atrevemo-nos a imaginar. Podem ser subtis as diferenças com que vemos e estamos no Mundo mas, qual passo de Armstrong ou um pequeno ovo de Colombo, podem modificar o Cosmos e a nós próprios, na realidade construída.
Não estranhemos pois este Livro que de madeira parece, assente na representação esférica do Mundo que o sustém.
Pensando bem, o Mundo tudo comporta. No limite, aceitemos o instante zero da explosão inicial e a libertação máxima de energia que tudo já continha, que a tudo deu origem e que de novo tudo incorpora e transforma. Já comportava este Livro!
Ah, o melhor de tudo é aceitarmos que também lá estávamos como homo-sapiens-demens com a nossa capacidade demiúrgica e única de criação que nos faz pensar que, se das árvores é feito o papel, por que não o papel ser árvore transformada em Livro, para nele se escreverem estórias, recados, momentos, desenhar corações que Cupido manda terem setinhas certeiras ao coração do Outro?

Foto: Osvaldo Castanheira
Texto: Maria dos Anjos Fernandes

Postado por Carlos Cotter

27/02/2012

FOTOGRAFIA da SEMANA


          Este Fernando Pessoa não está na Ilha dos Amores.       
     Incógnito viajou e foi avistado por ursos polares, detetado por radares, filmado assim a tremer de frio, com a imaginação congelada num corpo sem nomes, nesta cor e rigidez com que se nos mostra.
     Pessoa- personna- máscara, onde esconde personagens, heterónimos e ortónimos que em teatros de palavras nos deixou.
    Pessoa (s) que em palavras de prosa ou poesia se refugiam para nos falarem numa ‘Mensagem’ muito para além da dor e do Cabo Bojador.
     Pessoas ridículas que escrevem cartas de amor ridículas e se tornam ridículas por pessoas –personnas- de amor serem.
     Este pessoa, como cidadão exemplar, antecipou-se no tempo e emigrou, cumprindo os desígnios do progresso futuro que não verá.
     Tal como está, vêmo-lo na Lapónia, esperando trenós e renas, guiando os meninos para a casa do Pai (Natal de seu nome).
     Também espera outros, aqueles que não sabem que as cartas chegam como o pensamento, através do vento.
     Espera também aqueles que as não escrevem e que, para sempre, serão apenas ‘ridículos’….

Foto: Osvaldo Castanheira
Texto: Maria dos Anjos Fernandes


Postado por Carlos Cotter


14/02/2012

A Semana da Leitura já foi...


SEMANA da LEITURA 2012
06 a 10 de fevereiro

     No inexorável ritmo do tempo, a Semana da Leitura já foi…. Alguns alunos perguntam na BE: ‘porque não há mais semanas assim?’
     A resposta é óbvia. Na escola há outras aprendizagens programadas, com calendários e planificações bem definidas e a cumprir. Porém, de vez em quando, há diferenças no tempo, no espaço, na forma de partilha de saberes, que permitem à Comunidade Escolar/Educativa algumas metamorfoses de excelentes resultados.
     Programa vasto e variado que se cumpriu com a satisfação de todos os intervenientes. Direção, E. Educação, Pais, Avós, Familiares, Autarcas, Alunos, Professores, Equipa da BE, Responsáveis pelos Clubes, Concursos, Exposições, Escritores, todos estiveram e vieram e partilharam saberes, sentires, proporcionando a aquisição de novos saberes e competências.      
     Nenhuma Atividade merece destaque pela excelência porque todas o foram.  
     Mas, pela magia da partilha, cooperação e solidariedade, fica o testemunho de alguns alunos do 4º ano do E. Básico, do Agrupamento de Escolas António Sérgio (Esc. EB N. Sra da Anunciação e Esc. EB Quinta da Fidalga) que vieram visitar a exposição e participar na Leitura Expressiva do “Principezinho”, trabalhos realizados pela turma 9º+ e outras turmas do mesmo ano.
     Esta foi a obra selecionada para o concurso “ATREVE-TE A LER” de janeiro que a BE implementa desde o ano letivo transato. Vista a exposição e ouvidas as diversas estórias do Principezinho na Terra, em locais desde Sintra à Muralha da China, os meninos, partilhando a magia do conto e a inocência daquele principezinho, escreveram o que sentiram no entendimento de mundos encantados…. Eis alguns exemplos: ‘O Principezinho ensinou-me que não devemos ficar à espera do que queremos. Devemos tentar alcançar o que queremos!’; ‘A história é tão divertida e alegre que me inspirou para viajar para o deserto e para o B 325!’; ‘A história ensinou-me que podemos fazer amigos em qualquer lugar!’; ‘Eu gostei muito da história porque aprendi que a amizade é muito importante!’; ‘Eu aprendi que, às vezes, as pessoas não nos entendem…!’; ‘Senti que o principezinho tinha um bom coração!’; ‘Eu acho que o principezinho vivia num asteroide porque adorava ver a Lua!’;…
Que dizer mais?
Algumas fotografias da Semana lembram-nos como valeu a pena. Só nos resta agradecer a TODOS os que nela participaram.
Em nome da Direção, das Coordenadoras do PNL, dos Professores e Alunos, de todos os participantes, da Equipa da BE:
BEM HAJAM!



















Postado por Carlos Cotter

12/02/2012

FOTOGRAFIA da SEMANA



Neste momento, este Menino é o Senhor do Mundo!
Este Menino, com o rosto e as mãos que todos os meninos têm, segura o Mundo; seu e de mais ninguém.
Anacronismo eficaz no absurdo de saber quem é de quem: se é o Menino do Mundo, já que no Mundo está; ou se é dele o Mundo e, quem sabe, o conquistará.
Alguém deu este Mundo ao Menino; alguém deu este menino ao Mundo.
Podemos supor a mesma coincidência na dádiva e no amor de um para o outro, de um no outro, de um com o outro.
Qual o tesouro maior?
O Mundo, tesouro do Menino que o abraça como se Atlas-deus fosse, ou o Menino que está no Mundo Tesouro para nele viver, crescer e Ser e aprender a ‘Fazer-Preservar’ para ‘Ter e Amar’?
Diria Ali-Bábá: Cresça o Menino e não desapareça o Mundo!

Foto: Osvaldo Castanheira
Texto: Maria dos Anjos Fernandes


Postado por Carlos Cotter

05/02/2012

FOTOGRAFIA da SEMANA


Uma vez li algures que o Amor não tira férias, quando muito, faz horas extraordinárias….
Se olharmos e quisermos ver bem, parece que é o que acontece aqui.
Já o sol se foi deitar, já a noite vem de mansinho depois do entardecer e eles não arredam pé deste sítio que nos faz lembrar que por ali passou uma fada, patroa bondosa, que os aconselha a não tirar férias (não há périplos nem destinos ideais para o amor fora dos corações) e a continuarem as horas sempre extraordinárias da manifestação dos Afetos. A água da purificação lá está como que a batizá-los para o percurso da caminhada. E o céu também, qual estrada de Santiago, que os leva a superar as habituais regras.
Não se vê o sítio onde a Bela Adormecida descansava, não se vê o caminho que este Príncipe percorreu.
Apenas se veem as mãos que se enlaçam, se agradecem, se enobrecem.
Não se veem os ritmos cardíacos e a suavidade das promessas que fazem.
Não se ouvem os sussurros indizíveis e não nos é dado observar os sorrisos sagrados que trocam nos silêncios.
Mas podemos supor que relembram todos os pressupostos de qualquer Merlim, que são Lancelot e Guinevere, que já foram Romeu e Julieta.
Não tiram férias. Apenas tentam parar o tempo.
Afinal, para o Amor as horas são todas extraordinárias….

Foto: Osvaldo Castanheira
Texto: Maria dos Anjos Fernandes




Postado por Carlos Cotter

31/01/2012

PROGRAMA da SEMANA da LEITURA








Durante toda a semana:
        --- exposição de trabalhos sobre a obra “O Principezinho”, elaborados por alunos do 9º ano da Profª Antónia Palmeiro na BE;
        --- exposição de trabalhos de  alunos do 3º Ciclo  das professoras Isabel Vieira e Margarida Costa no Átrio Principal.






Produzido e postado por Carlos Cotter

À VOLTA DO PAINEL



Postado por Carlos Cotter

21/01/2012

FOTOGRAFIA da SEMANA

James Dean, ao contrário do habitual, não queria sair naquela noite. Algo lhe    dizia que as ruas da cidade estavam a abarrotar de insaciáveis, que não haveria lugar onde pudesse deixar parte da sua irreverência e, exceto a cerebral, a física tinha de ser arrumada nalgum lado…
Mas uma força interior, aquela que não lhe obedecia quase nunca, levou-o mesmo para o ar da noite, com alguma confiança no destino que os destemidos não temem. As Festas e algumas festas eram um álibi que não o deixava descansar a curiosidade do que poderia acontecer.
E saiu. Velozmente foi percorrendo destinos, o seu e de tantos outros… e as ruas apinhadas na Big Apple. Nada de novo!
De facto, tudo se confirmava. Que fazer? Levava-se a ele e à sua irreverência de volta a casa ou tentava o impossível?
Decidiu pela segunda hipótese e encontrou, vá-se lá saber porquê, um adorador de candeeiros que, encostado a um, ia desfiando um rosário de desabafos que só ele entendia, mas que lhe prometeu, a troco de uns minutos de uma loucura sã e partilhada, guardar-lhe a motinha….
Conversaram muito, trocaram tanta palavra, que descobriram ao fim de um par de horas que a noite tinha valido a pena.
James Dean não chegou a cumprir o programa das festas a que tencionava submeter-se. Extasiado com o despontar do amanhecer, decidiu voltar à terra dos seus sonhos….talvez dormir.
Quanto ao adorador de candeeiros, também decidiu regressar ao lugar de outros sonhos. Naquela noite, Vasco Santana deu por bem empregue, mesmo sem perceber quase nada de Inglês, ter saído do Parque Mayer e ter ido falar com um candeeiro a Nova Iorque.

Foto: Osvaldo Castanheira
Texto: Maria dos Anjos Fernandes







  Postado por Carlos Cotter

15/01/2012

FOTOGRAFIA da SEMANA



        Estas duas janelas perderam  toda a essência de ser ‘janelas’.
      Por elas não entra luz, nem sol, nem calor, não há nenhum gato a espreitar-nos e a aquecer-se ao sol, não há ninguém que se debruce a ver passar o tempo e a mostrar que está lá e a janela é sua.
      De cada uma destas janelas, nada se consegue ver. Os tijolos são opacos. Nenhum olhar deixam sair, nenhum olhar deixam entrar.
      Podemos supor que estas janelas foram  a alma de casas-lares, por onde entraria o mundo. Podemos supor que seriam habitadas e haveria móveis e conversas sussurradas em volta de mesas sumptuosas…
        Também podemos supor mães a embalar os seus meninos que choravam  ou riam pela beleza de coisa nenhuma, apenas pelo afago do amor supremo.
       Depois veio o tempo de um futuro vazio e todos se foram. As mães e seus meninos, os pais e seus gatos.

       As conversas pararam e lá dentro ficaram hologramas fantasmas de coisa nenhuma.

       E tijolos vieram, e tijolos ficaram, e tijolos colaram.

      Por estas janelas já ninguém vê: nem de dentro para fora, com o mundo a espraiar-se, nem de fora para dentro, com o coração a bater, por querer saber, por querer saber….

Foto: Osvaldo Castanheira
Texto: Maria dos Anjos Fernandes





Postado por Carlos Cotter

07/01/2012

FOTOGRAFIA da SEMANA



Este vestido é tão lindo ou emblemático que merece estar sem corpo. Segura-se sozinho, o corpo que vestiu não está lá mas ainda lhe dá o suporte das formas, da elegância, da cerimónia em que foram juntos: o vestido e o corpo dela.
Foi num baile de gala, em Viena, para dançar nos Salões de Sissi.
Foi no baile da Rosa, sem Grace, mas junto à triste e bela Carolina.
Foi num jantar na Ajuda, com embaixadores a elogiarem o estilismo nacional….
Foi no Moulin Rouge, num espetáculo de Can-Can que ele ofereceu a ela e a pediu em casamento (ela aceitou….).
Foi num jantar romântico, com som de violinos, e o vestido despiu-se sem se despedir dela…
Foi em Casablanca, quando o vestido e Ilsa (Ingrid Bergman) dançaram com Rick (Humphrey Bogart), ao som de ‘As time goes by’.
Mas isto é tudo uma grande metáfora para exercitar a nossa imaginação.
É que este vestido é o tal: Ícone que vestiu a fadista do FADO – português - , elevado Património Imaterial da Humanidade.

Então, vestimos o vestido?

Foto: Osvaldo Castanheira
Texto: Maria dos Anjos Fernandes










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02/01/2012

FOTOGRAFIA da SEMANA


Na Bíblia é-nos dado um conselho tão simples, quanto sábio – divinamente: “Se tiveres olhos vê, se não puderes ver, repara.”

Não sei qual o preferível:
-  Se ser a suposta Mãe que dá a ver a lista quase infindável  de explicações e motivos que representaram uma Guerra Mundial que dizimou milhões de corações a bater e corpos torturados e mortos, se ser o suposto filho que só pode ainda reparar naquela imensidão de frases, sem poder ainda perceber a dimensão horrenda da barbárie.
Quase podemos ouvir as explicações pedagógicas da Mãe.
Não será difícil aceitar apenas uma leitura simples, pautada aqui e ali, por alguma explicação mais realista. Mas só isto já é terrível, não haverá tempo no passeio para falar da insanidade dos senhores de braço estendido, dos medos de Anne Frank, na desobediência audaciosa de Aristides de Sousa Mendes, numa cruz suástica bem explicadinha….
Quase podemos ouvir os ‘Ah!’ do menino, filho aprendiz da memória dos horrores. Talvez na sua imaginação vá pensando: “que bom  eu ainda não ter nascido, que bom só ouvir falar a Mãe, que bom apenas saber que houve outros meninos com outros nomes que estiveram lá e agora já não estão aqui, e eu não sei muito bem porque lhe fizeram mal”. Mas fico triste.
Porquê Mãe? Também não sei muito bem Mãe, porque estas palavras que falam da Guerra (Como é uma Guerra Mãe? Os filhos ficam sem pais ou são os pais que ficam sem filhos?), têm de ser arte e porque estas explicações se chamam ‘A Arte da Guerra’!
É a brincar Mãe?

Foto: Osvaldo Castanheira
Texto: Maria dos Anjos Fernandes

11/12/2011

FOTOGRAFIA da SEMANA


Às vezes a solidão tem rosto e forma. Também tem contexto e estórias. Às vezes a solidão pode lembrar-nos, de forma tão triste quanto real, a nossa incapacidade em transformá-la. Qual será a cor da solidão? Parece estar sol, vemos o colorido da camisola, do verde das árvores que beijam o azul celeste, vemos as telhas que abrigaram outros telhados em tempo de vendavais e depois…. vemos a obrigação de parar por ali. Parar de sorrir, parar de passar, parar de sonhar. Parar. Esperar. Solidão, vazio que enche o espaço de coisa nenhuma. Solidão, ausência de sons. Solidão, solitária espera de ninguém. Solidão, bengala muda que só ampara. Solidão no olhar, solidão no estar. Solidão de sol nas gripes de inverno. Solidão de passos, solidão de estórias, solidão sem cor, solidão de dor. 

Foto: Osvaldo Castanheira 
Texto: Maria dos Anjos Fernandes







03/12/2011

FOTOGRAFIA da SEMANA


Na Negra Praça que não está lá, existe uma mulher que não se vê, nem dela se tem qualquer perspetiva. 
Na Negra Praça está um andróide vindo do espaço e regressa ao passado para nos olhar. 
Na Negra Praça podemos ver o espelho que estilhaçou e nesta caixa de letras se transformou. 
A Negra Praça é um jornal de vidro, cheiinho de letras e nos confronta com aquilo que se não lê. 
Na Negra Praça estamos todos nós, perdidos num espaço cúbico e fechado. 
A Negra Praça é a morada da humanidade, estás tu e eu e Madre Teresa e Lady Di e Picasso e Delacroix e David Hume, também Dali. Já partiu Freud das ‘esquisitices’ e James Joyce foi a Paris. Simone namorou lá Sartre e Alexandre Magno inventou batalhas. E vieram tribos, ciganos e nómadas, astecas e maias, todos lá ficaram. 
E a Negra Praça encheu-se de gente que nunca lá esteve, porque não podia. 
Num jornal de vidro só cabem fantasmas e notícias cruas de obituários. 
Nesta Negra Praça tão transparente, cabe a humanidade, tu e eu e eles e toda a gente….

Foto: Osvaldo Castanheira
Texto: Maria dos Anjos  Fernandes