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17/03/2014

VER e ESCREVER


Olhando a foto para «Ver e Escrever», chegamos a memórias díspares e podemos questionar se é a realidade que motiva os afetos e as artes, ou se são as artes e os afetos que desenham a realidade e a constroem para a desconstruírem.
Na memória aparecem imagens do filme “Gata em telhado de Zinco quente”, obra de Tenesse Williams que Richard Brooks imortalizou. Surgem questões do valor dos afetos, como o amor – permitido e usual e o outro, proibido e condenável, logo disfarçável. Surgem questões sobre a ganância, o valor do dinheiro, a doença, as verdades e as mentiras que desenham os dias como se estivéssemos sempre, quais gatos, em cima de um telhado de zinco quente e a vitória fosse aguentar e lá permanecer.
Na memória, aparece o génio de Gaudi. Estes gatos podiam, muito bem, ser as musas inspiradoras do artista para os telhados da casa do Sr. Milá.
Não é difícil, mas apenas desconcertante, a analogia deste telhado tecnológico e feio povoado de gatos com a beleza dos deuses antropomórficos nos telhados em ‘La Pedrera’. Gaudi pensava o milagre da vida e da arte e sabia, com certeza, que os gatos têm sete vidas e conseguem aguentar o feio cenário e poiso, tal como Maggie conseguia aguentar a verdade escondida do filho falhado do Big Daddy. E nós, que verdades conseguimos aguentar?

Foto: Osvaldo Castanheira
Texto: Maria dos Anjos Fernandes

08/05/2013

VER e ESCREVER



Quando L3 e K4, a bordo da nave interestelar OMNIX, entraram na atmosfera terrestre, todos os sensores programados para detetar ‘O Belo’, começaram a piscar, quase entrando em colapso! Os dois tripulantes, atónitos, concentraram os seus índices de partículas interpretativas do insólito no frenesim interativo das máquinas!
Alteraram a velocidade da OMNIX para a função ‘pairar e observar’ e, contemplaram, sem a comunicação telepática das partículas socializantes. Cada um por si!
O que se lhes deparava era muito mais do que esperavam encontrar na galáxia visitada, no pequenino ponto azul, tão longe do seu espaço, quase para lá do Espaço!
Por nada semalhante haviam passado. Mas, não sabemos porquê, conseguiram decifrar os parâmetros dos sensores. O Belo estava por todo o lado, nas nuvens brancas a bordarem aquele azul, na energia multicor das ondas, no pequenino reino encantado suspenso em cascata.
Não tinham bocas para palavras, não tinham olhos para olhar, vinham de um futuro muito distante numa nave tão sofisticada que ninguém a via.
As máquinas não humanas que os alertaram e tudo registaram, cristalizaram pela deteção da beleza.
E em L3 e K4 surgiu uma capacidade estranha: as suas partículas enterneceram!

Foto: Professor Osvaldo Castanheira
Texto: Professora Maria dos Anjos Fernandes

03/04/2013

VER e ESCREVER


Era uma vez uma estória que continua a ser, em que uma menina soube que Deus descansou ao sétimo dia da criação do mundo! Mesmo sem entender muito de Deus, o Não-humano, a estória e respetiva explicação estava aceite para se maravilhar com o que tinha ficado do trabalho dos seis dias anteriores. Na impossibilidade de repetição, o mistério ganha mais consistência quando a perfeição entra pelos olhos dentro e chega, de mansinho, ao coração.
A menina, todas as meninas e meninos, vão pensando na capacidade de imitação para que a inteligência cumpra funções inteligentes e a humanização se exceda em inventar, construir, ‘criar’ sem descanso, numa fração de tempo que ainda, e sempre, será o dia do recostar divino.
Aí está o paradigma da generosidade. Nesta estória, a menina foi pensando que, quem sabe fazer paraísos (olhemos o céu e as nuvens que nele se passeiam e não caem… chegam ou partem com gotinhas para refrescar e lavar o mundo que nenhum guarda chuva tapa na totalidade…), sabe também a superlativa abnegação e a importância de dar a oportunidade ao outro, espelho de nós mesmos. Oh suprema e inimaginável contradição!!! Afinal será o Homem apenas semelhante a Deus – Criador, ou será também o espelho que Deus escolheu para se Re - Ver e contemplar-Se a Si e à Sua obra? Olhemos a ponte a unir duas margens, vejamos as janelas iluminadas por uma luz inventada ou descoberta. Deus e o Homem, o Outro para o outro, para que a diferença mantenha a Identidade de cada um. A menina, muitos outros que sabem a estória, continuam a pensar que talvez Deus tenha decidido descansar e assim permaneça para deixar que o Homem – Criatura possa ser também criador e a beleza não desapareça. 

Foto: Osvaldo Castanheira
Texto: Maria dos Anjos Fernandes

08/03/2013

VER e ESCREVER


Não é em qualquer tempo nem em qualquer parte que poderemos olhar e ver quem ainda é, mas talvez nunca seja, e vê-lo a ‘Ele’, de costas, que já não é, mas sempre há de ser.
Há também os outros, que o guardam, que também foram e voltaram, ou não foram mais do que ‘vultos históricos’ e de pouco alto nos olham ou são olhados.
E depois, parece que parte do mundo saiu à rua ou Largo, para ali estar, ver e olhar. Acima de tudo para receber o azul deste céu- Espaço invejado de qualquer S. Kubrick, se vivo fosse, para outra Odisseia nos contar. A estória vai acontecer num tempo de futuro muito longínquo, tudo está petrificado, mas tudo se move, numa cadência de câmara lenta, em que nada existe, mas tudo está lá.
A culpa é do céu azul que caprichou e não muda de cor. Plúmbeo, amarelo, roxo, rosáceo, de nada valeu aos homens pedra tentarem! A abóbada emitiu um édito galático para nada se mover, para nada ser. Só as memórias de uma viagem salvas e ainda fossilizadas voam de vez em quando, em forma de livro ou folhas soltas, por aquele espaço. Nem os homens pedra, nem as pedras homens as vêm.
Única exceção: numa daquelas pedras-casas está um homem, ainda de carne e osso, que regressa ao passado, faz dele presente e escreve! Heresia… em verso e prosa, nova saga de Bloom, tornado assassino lusitano e Lusíada, que se (des) aventura por terras nunca tão bem contadas, rumo à Índia, que ainda lá está!
G.M.Tavares – não o vemos – espreita de uma janela e, nos intervalos da mirabolante escrita, vai perfilar-se do outro lado do pedestal, para olhar nos olhos ‘Aquele’ que de costas vemos.

Foto: Osvaldo Castanheira
Texto: Maria dos Anjos Fernandes

05/02/2013

VER e ESCREVER


Memórias antigas chegam até nós para nos lembrarem que o Mundo, nos seus primórdios, não passava de um lodaçal. Para os lados de Belém (Portugal, não a natal do rei David ou de Jesus Cristo) onde o rio vai beijando a terra, este lodaçal era tão profano que parecia afogar-se no mar, ilha flutuante de pouco préstimo, nem sequer para os mitos contados da criação!
Como do futuro ainda não tinham chegado memórias de quaisquer Avatar, o lodaçal para ali ficou, pantanoso. Mas o sítio era bom, lá isso era e, algum dia, havia de ter préstimo!
Num outro tempo, anterior à homenagem que Torre havia de ser, um príncipe e outros génios humanos, ambiciosos e visionários, lunáticos, sonharam com o que estava para lá da linha do horizonte, o infinito invisível a olhos só de olhar.
E nem céus com nevoeiro ou mares desconhecidos e por monstros habitados, demoveram vontades, curiosidades ou teimosias!
E então fez-se lei e ordem, éditos, inventaram-se "invenções" de muito préstimo, vieram escravos, ciganos e demais corporações.
Naus e caravelas, espaços e estradas marítimas se fizeram, em tempos de sonho que passaram a ser o eterno Agora na Saga portuguesa - ‘Giesta’ dos Descobrimentos (ou Achamentos?). Mas o homem não é só feito de sonhos e memórias passadas, lembrou-se que havia de preservá-las para que se tornassem eternamente presentes e revividas em símbolos de contar (Lusíadas) ou de agradecer (Torre de S. Vicente de Belém). E um agradecimento foi erguido para relembrar a todos os que futuramente para ela (Torre) olhassem, que os tempos do sonho não residem unicamente num passado longínquo, mas também num eterno agora.
Que o digam estes jovens, encostados à fantasia de poderem sentir em cada batimento do coração, a emoção dos que foram e voltaram e dos que ainda por lá ficaram e por lá estão!

Foto: Osvaldo Castanheira
Texto: Maria dos Anjos Fernandes

08/01/2013

VER e ESCREVER


Tal como está o mundo, não nos atrevemos sequer a duvidar de que tudo pode acontecer. Por isso o que é, pode não ser!
Há uma ponte invisível entre aparência e realidade, entre o que vemos e julgamos existir e tudo aquilo que a nossa mente constrói a partir de uma ordem caótica!
O céu ainda não caiu, mas está suspenso, prontinho a soltar-se e esmagar estes três estrategas do (des)equilíbrio. Mas de que mundos vieram estes entes? Por que fazem acrobacias circenses ou pacificadoras reflexões de yoga?
Estarão mesmo ali, no espaço relvado em que os vemos ou estarão por detrás dos muros, fingindo habilidades para impressionarem apenas as paredes?
E estas paredes que casas de estórias parecem sustentar, não serão também paredes andantes ou voláteis, nas memoráveis e geniais monstruosidades de artista portuguesa?
“Artista”?!!! Imagem de cinema mudo, com ascensão e queda tão rápidas como o foi a corrida do cãozinho para salvar do fogo o Artista-dono, a quem só o Amor real que  ‘arde sem se ver’ conseguiu reanimar!
Artes várias imaginamos ao olharmos o que parece ser. E vamos percorrendo a ponte, não com o nosso andar, mas com o ver, o olhar, o imaginar. Não serão as paredes que nos param, não será porque o céu nos ameaça que desistimos de construir estórias (tal como ‘Ela’ não desiste de as dizer, pintando…) para o caos que nos organiza. Porque é no caos que está o labirinto da existência, porque é no desequilíbrio que estrategicamente nos movemos e aprendemos a existir e a resistir.
 Porque, mesmo na insólita ou necessária diferença entre a aparência e a realidade:
 A relva é verde?
E o céu é azul?
Serão ou não, mas os muros não param sonhos!

Foto: Osvaldo Castanheira
Texto: Maria dos Anjos Fernandes

09/11/2012

VER E ESCREVER


Já ninguém mora aqui. Agora só nos resta imaginar e ver através do outro lado do tempo, entrar no passado. E assim, facilmente , vemos um palácio das mil e uma noites, com seus donos e convidados numa festa,  a celebrar o equinócio da primavera. A orquestra, com harpas, címbalos, cítaras e pianolas toca uma balada que celebra as cantigas de amigo. Damas e gentis homens rodopiam no salão, vestidos a preceito, num barroco de folhos, fivelas e cabeleiras. Uns estão compenetrados nos passos de dança, outros servem-se do bailado para que mãos e olhos vão dizendo outras palavras que devem emudecer lábios mas não calar falas de coração. Esta tarefa ou jogo de sedução não quer perder a magia e tornar explícito o encanto do implícito. Aios e pajens fardados a rigor esperam perfilados e ladeando o salão, quase petrificados com tanta beleza pensando se, caso ali estivesse, com quem dançaria a Cinderela. Outras Cinderelas suspiram de alívio: umas porque o minuete acabou e se livram do seu par algo bafiento, de mãos suadas e atrevidas; outras suspiram na tristeza pela rapidez da música agora finda, a meio do encanto com que seu par, garboso fidalgo/mancebo as encantou. São  quase Cinderelas e quase ficam Mouras Encantadas. Gostamos de ver este salão com estes personagens. Ao longe parecem perfeitos hologramas que ali estão para nosso deleite e, a qualquer momento, podem ficar suspensos num hiato temporal para fantasmas futuros serem. Num outro tempo, chegaram o abandono, as intempéries, os vendavais que também passaram por este monte. Reina o silêncio. O céu requisitou nuvens plúmbeas que acautelam as ruínas do palácio que já foi e onde apenas as árvores verdes continuam os ciclos da natureza. Chegam outros olhos para olharem o que restou. Os passos ficam atrás do tempo, só os ouvidos atentos percebem, ao longe, o toque de uma orquestra. Então, de repente, chegam até outros olhos espetros de bailarinos que rodopiam suspensos em si próprios. E, quem olha e vê, conclui que chegou ao presente de um idílico tempo passado, sempre irrepetível e sempre ausente.

Foto de Osvaldo Castanheira
Texto de Maria dos Anjos Fernandes

08/10/2012

VER e ESCREVER


Há horizontes de olhar que são assim: reais e possíveis na realidade de ver, mas que parecem ideais onde deambula o sonambulismo no despertar funcional do sonho.

O cavalinho, por ser de pau, não cavalga as planícies; o menino, de infância estática, não tem esporas que incentivem o seu transporte e o movam nem da terra, nem do sonho.

Só nós, que olhamos como donos da imagem, podemos ter a veleidade de lhes traçar caminhos/rotas em mar de deserto, de estepes, de pradarias ou até no ‘Crescente Fértil’…fértil de colheitas históricas de passados impossíveis ou de cenários possíveis mas improváveis.

Na natureza de duplicidade claro (que brilha como se ouro fosse…)/escuro (sem brilho e que pode refrescar…)fica perdido o nosso olhar ou a vontade de naquele cavalinho cavalgar. Para sermos de eterna infância, para sermos de eternidade, para estarmos onde o sol ofusca sem queimar, para sermos alma ou espírito que voa e busca, para desorganizarmos tudo e sermos rio/destino/foz.

Ah, se este cavalinho fosse uma bicicleta….
Ah, se este menino estático tivesse um amigo…
Ah, se Spielberg os visse ou imaginasse…

Foto de Osvaldo Castanheira
Texto de Maria dos Anjos Fernandes

20/05/2012

FOTOGRAFIA da SEMANA


Há uma canção popular que nos ensina a ouvir e a cantar uma menina que está à janela com o cabelo à lua.
Não é esta a menina. Nem das cantigas, nem dos ciclos astrais.
Esta estática menina está nas margens da galáxia e existe para nos impressionar, numa qualquer idealização desmedida de Tim Burton.
Por norma, as bonecas cumprem várias funções: são memórias que preservam a infância, que fazem crescer, que ensinam a ser. São companheiras dos sonhos e amigas solitárias de solitárias amigas. São um quarto, uma casa, rua e bairro, são jardins de brincadeira. São os nomes e as partilhas de fantasias. São as mães e as filhas, doentes e médicas, anfitriãs e convidadas, professoras e alunas, juízes e assassinas. São o si-mesmo sem nada serem, personificação mais banal ou mais intensa, quanto mais ou menos Barbies povoarem o espaço de crescer.
Porém, esta boneca tem algo de diferente. É poética na ingenuidade de existir para quem a brinque, é sinistra e personagem de filme para quem ali a deixou a descansar dos esconjuros que as amigas – bruxas de Salém – lhe provocaram.
Quem a vê, assim abandonada, não sente qualquer compaixão no esquecimento.
Quem a olha, experimenta algum alívio por não ter de suportar, à noite, algures no espaço onde se entrega ao sono e ao sonho, o olhar que destes olhos estranhos sai, o cabelo que não voa, a janela sem menina e sem lua.
Perante este ícone, de força desmesurada e beleza negativa, só nos resta pensar que Obélix dela se enamorou, dela se cansou e para ali a deixou.
Nem ele teve forças para tanto!!!

Foto: Osvaldo Castanheira
Texto: Maria dos Anjos Fernandes

Postado por Carlos Cotter

13/05/2012

FOTOGRAFIA da SEMANA



Ao primeiro olhar lembramos Milos Forman a pensar no seu “Amadeus”. Pensamos nós se foi ‘aquele’ menino a escrever a partitura que estes tocam.
Depois, como a beleza não cansa os olhos, continuamos a olhar e a sentir. Ouvimos os sons deste mar a refletir o céu, ouvimos o silêncio da criação maravilhosa de um reino imaginário, ouvimos o voar mansinho das nuvens e ouvimo-los a eles.
Sentimo-nos a ser levados pela música desta orquestra fantástica que os meninos tocam.
Ali chegaram e ficaram no deslumbrante equilíbrio entre magia e realidade, como num sonho.
Não desviamos o olhar, os sentidos continuam lá.
São os sentidos que despertam para o pensar.
É o pensar que nos leva a outro reino refletido nas águas, reino da Fada Morgana, de Viviane, das protetoras de Guinevere, seus ‘Artures’ ou ‘Lancelotes’,  em  Avalon de mágicos nevoeiros.
Estes sons, por belas metáforas serem, propagam-se no vazio e, do reino das fadas, partem para chegarem a paragens longínquas.
E uma multidão chega. De nós e de outros.
É uma multidão que está.
É uma multidão que vê.
É uma multidão que ouve dentro de si o que o belo despertou.
Então, de repente, ouvindo e olhando, deparamos com Brad Pitt, regressado de sete anos no Tibete, na companhia de um menino.
Partiram do possível. Deixaram as aprendizagens do caos. Conservaram as da Amizade e do Amor.
Sorriem e estão felizes. Como diria Dalai Lama: Depara-se-nos o Nirvana!

Foto: Osvaldo Castanheira
Texto: Maria dos Anjos Fernandes

Postado por Carlos Cotter

06/05/2012

FOTOGRAFIA da SEMANA


Sempre nos ensinaram que os Anjos não têm sexo e as discussões infindáveis e anacrónicas acabam por levar o rótulo de ‘discutir o sexo dos Anjos’, como conflito interminável quais ‘obras de Sta Engrácia’. Mas os nomes que Lhes deram não nos podem deixar dúvidas de seres masculinos serem. Nomes para seres incorpóreos e etéreos que nos vigiam e guardam. Até nos dizem que cada um de nós tem Um particular e único.
Maria teve o Seu, Anjo Gabriel, mensageiro de Vida, arauto da mais alta missão, a da Maternidade para o Filho de Deus.
Mundividência cultural católica que preservamos para que a proteção no masculino (a mais forte?) não nos abandone. É bem mais confortável pensar que os Anjos que aprendemos como imateriais Seres de Luz, são heróis corajosos que nos protegem do Mal cuja paternidade está a cargo de outro Anjo – Lucifer –  , Mal nascido da mais nefasta, perigosa e definitiva desobediência. Dan Brown também nos avisa, há Anjos/Anjos e há Anjos/Demónios…
Ocidentais e velhas referências que não são agora objeto de contraditório.
Por isso, é na suposição de uma saudável androginia que olhamos esta Menina–Anjo, outsider de todos os pressupostos. E ela, Anjo–Menina, todas as funções e missões já desempenhou. Anunciou, protegeu, guardou. Agora, apenas descansa num qualquer cantinho do Universo, que pode ser a casa, morada de nós próprios.
Obrigada Menina – Anjo.
Obrigada por tua guarda.

Foto: Osvaldo Castanheira
Texto: Maria dos Anjos Fernandes

Postado por Carlos Cotter


28/04/2012

FOTOGRAFIA da SEMANA



…Mesmo sem Dali, ainda temos as memórias que persistem…

Escrevi e assim pensei, sobre a foto icónica dos símbolos de um País pobre e longínquo.

Mas a frase pode servir de ligação para outras recordações que também devem persistir. Estas, de abril florido em cravos que transformaram uma revolução num dia de poesia. Parecem tão longe os tempos, parecem tão inúteis as intenções de liberdade, quanto nos parece difícil e anacrónico este cravo florir de uma terra de papel, no claro desespero de rasgar a metálica folha que o preserva do ‘non sense’ sem o oxidar.

Quando os caminhos dos militares, Salgueiros e tantos Maias (…‘Somos Todos Capitães…’) se cruzaram com o povo que cantava em toda e qualquer Vila Morena e Depois do Adeus se trauteavam corridas em sorrisos empoleiradas, então foi a vez dos meninos se tornarem gigantes, chegarem com cravos arrebatados em rossios e praças, molhos e molhos de revoluções fazerem, daqui e dali…

E, mesmo sem Dali, mas aqui, temos de ter memórias que persistem, memórias que resistem…

Foto: Osvaldo Castanheira
Texto: Maria dos Anjos Fernandes

Postado por Carlos Cotter