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28/05/2011

FOTOGRAFIA DA SEMANA



Esta menina está a pensar na frase que ouviu e que a fez feliz: ‘serás única para mim’. Descobriu que já não é. Também está a pensar que não quer ser única para ninguém a não ser para si própria e não sabe como há de comunicá-lo. De qualquer modo, a unicidade representa uma tal verdade máxima na vida de cada um, que consegue acarretar para dentro daquilo a que chamamos consciência, alegria, felicidade, tristeza, remorso, dúvida, sofrimento. A sorte é que vamos tendo uns estranhos recantos, lugares definidos para as nossas reflexões, risos ou lágrimas, onde nos refugiamos para pensar ou alinhar a nossa energia química com a nossa existência de seres totais, que não cabem em qualquer buraquinho de alfinete. Depois temos ainda o paradoxo, escondemo-nos no tal refúgio, mas queremos ver o que acontece se formos detetados, nós e os nossos afetos, emoções de risos ou nódoas sentimentais de lágrimas. São os riscos de ser igual, ou talvez de querer/não querer ser diferente. Lá está o vidro, translúcido, forrado de minúsculas grades, a proteger e a testemunhar.
Serão assim todas as prisões da alma?




Foto: Osvaldo Castanheira - Texto: Mª dos Anjos Fernandes




22/05/2011

FOTOGRAFIA DA SEMANA


O sonho e a vontade de vencer deviam levar este homem para o livro dos recordes. Várias coisas podemos pressupor: está nas obras, peneirando areia para que fique tão fina que não agrida o cimento, mistura fundamental do quarto das crianças ou da sala dos adultos, perfeitinha; a rede protege-o das quedas, das outras obras, dos outros homens, dos donos das obras…..; também podemos pressupor um treino solitário de basquetebol, um lançamento imaginário para um cesto, imaginário também, onde faz sempre pontos, preparando-se para os jogos olímpicos, se algum interessado por ali passar e observar o seu sacrifício e a sua perseverança. E lá está a rede que o protege e à sua bola, de poder partir um vidro da sala futura que está a construir….


Será a dele?


Será a nossa?


Será de alguém?




Foto: Osvaldo Castanheira - Texto. Mª dos Anjos Fernandes

15/05/2011

FOTOGRAFIA DA SEMANA


Estes dois não são mesmo o que vemos: por aqui passou um escaravelho de poderes mágicos e inqualificáveis, tudo levou, como o vento do filme, só deixou o mar, este barco e dois homens para testemunha dos seus poderes. Não contente, o escaravelho ainda os reduziu a um tamanho inferior, de criança: Por que têm eles as calças arregaçadas? Querem lá saber que ficassem molhadas! Não, o que aconteceu é que foram ‘encolhidos’, reduzidos até ao tamanho da faina de homens adultos.


Mas a inteligência humana não tem idade e nem diminuiu: olhando em redor, verificaram duas coisas importantes: Não havia ninguém a quem vender o pescado; não haveria ninguém que controlasse o seu trabalho.


Então pensaram: Vamos embora: hoje não há sardinha!




Foto: Osvaldo Castanheira - Texto: Mª dos Anjos Fernandes

08/05/2011

FOTOGRAFIA DA SEMANA



Novo decreto-lei se fez no mundo cinzento e de crise em que nos dizem que estamos a viver. Quando o amor é tanto, não temos alternativa senão comprar e calçar meias cheias de corações e ficar de pernas encostadas às pernas de quem amamos. Foi o que fez esta mãe, que embelezou as pernas que vão levar e buscar a filha à escola, que depois corre para os transportes e emprego, que carrega sacos de supermercado com cereais e suissinhos. A cor das suas meias e dos corações, todos os desenhos, refletem a estória dos seus dias, semana após semana (sobe a calçada , Luisa sobe….). Mas esta mãe tem o coração de todas as mães: para a sua menina quer apenas a pureza da vida. Pensa, por isso, que os sapatos e a saiinha cor-de-rosa e as meias brancas com brancos corações, a protegerão de todos os males. Pelo menos enquanto assim estiverem juntas, em proteção absoluta dos males, com promessas infinitas de felicidade.



E se todos assim fizéssemos?
Será que a crise passava e vivíamos felizes para sempre?






Foto: Osvaldo Castanheira - Texto: Mª dos Anjos Fernandes

02/05/2011

FOTOGRAFIA da SEMANA



Chegaram de outro mundo, num dia de sol. Deixaram os trabalhos na escola, não trouxeram ouvidos para as normas que não as do mar para ir e voltar, esqueceram por instantes as regras do bom comportamento e apenas decidiram aproveitar o chão que pisavam e o ar de maresia, com a água do mar e as ondas que os chamavam como sons de sereias.


Combinaram fazer um jogo, de cima para baixo, trocando depois – de baixo para cima. Aqui, com areia e trilhos de brincar, decidiram fazê-lo. O menino de cima, já subiu e desceu a correr aquele caminho que tudo tem para ser de brincar, subir com custo e descer a correr, umas 25637 vezes. O menino de baixo, mais franzino, não se atreve a tanto. Apenas encoraja o outro, numa solidariedade aprendida no lazer, que perdurará na cumplicidade de muitos amanhãs sem sol, nem dunas, com normas a cumprir, quando o outono e inverno chegarem e estiverem lado a lado, numa sala de aula a ouvir falar da influência da lua nas marés, da formação das dunas ou das plantas que lá sobrevivem…. sem o sol a acariciar-lhes os corpinhos protegidos de cremes. Aí, sufocados em camisolas de lã que lhes travam os movimentos e a imaginação, as orelhinhas têm de estar afinadas para os sons de aprendizagens instrutivas. Resta-lhes a recordação e o passar linear do tempo para regressarem no ano seguinte, quiçá, brincando ao contrário.


O mar, a areia e as sereias estarão lá. Oxalá esteja também aquele trilho pequenino que lhes proporcionou uma felicidade imensa….

Foto: Osvaldo Castanheira - Texto: Mª dos Anjos Fernandes

25/04/2011

FOTOGRAFIA da SEMANA



Desta janela pouco podemos dizer. Estarão aqueles pares dentro do edifício com a janela a espreitar para eles ou estarão eles a passar pelo edifício e irão a espreitar, olhando para nós e outros horizontes pela janela?
Não é uma janela vulgar. A forma, aparentemente circular, só nos confunde e encanta.
Dos dois verbos prefiro o do encantamento. A confusão ficou no cérebro que a concebeu, no papel do estirador que a acolheu e dos trabalhadores e materiais que a deram à luz. Dar à luz, uma janela que dá luz. E da luz, a confusão desapareceu….
Quanto ao encantamento, é bem diferente. Foi ali que os sete anões esconderam a princesa até que o príncipe a beijou e libertou do encantamento, foi ali que viveu a mais bela e o mais monstro que, por amor, regressou à forma principesca pela bondade daquela que apenas lhe via a alma. Foi ali que se escondeu um rapaz de bronze que Sophia Andersen moldou de virtudes, foi ali que uma centopeia dançou até se transformar na mais bela bailarina da companhia de Olga Roriz, foi ali que todos já estivemos. Todos menos aqueles quatro que, de acordo com Pedro Abrunhosa, terão de fazer ‘o que ainda não foi feito’: ir espreitar, subir ao Monte dos Vendavais, encontrar o Conde de Monte Cristo, subir as escadas da Senhora da Agonia, de Viana do Castelo, e espreitar o mar, de uma janela sem forma de o ser. Aqueles quatro viajantes, caminham no silêncio da plenitude, desejosos que os seus passos façam o caminho que os olhos de todos nós ambicionam.


Foto: Osvaldo Castanheira - Texto. Mª dos Anjos Fernandes

04/04/2011

FOTOGRAFIA da SEMANA

Quando Jorge Amado escreveu O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá, estava sentado numa janela da Lua, a olhar para estes telhados, varandas, sacadas, escadas entrelaçadas, a torre da Igreja, as sardinheiras floridas. Como estava longe, não conseguiu ver nenhum gato, nem nenhuma andorinha. Mas como a Lua (sobretudo quando está cheia, é mágica) disse-lhe que, embora não fossem visíveis, os animais tão antagónicos, mamífero e ave, estavam lá e até tinham nome. O gato, como se calcula não faz migrações, vai permanecendo por cá todos os dias, estiraçado ao sol, saltando de varanda em varanda, aproveitando o calor das escadas, até daqueles telhados que, apesar de não serem de zinco, são acolhedores do calor que os gatinhos tanto apreciam. Além disso, os telhados são um refúgio seguro quando os donos se zangam, quando algum cão os persegue ou quando sentem o cheiro apetitoso de um ratinho mais destemido e vem averiguar como está o tempo fora do esconderijo.


Mas o Gato Malhado estava farto daqueles domínios, já sem segredos nem aventuras que o pudessem arrebitar.


Porém, há uma altura do ano com muitas novidades! Tal como agora, na primavera, tudo começa a nascer, a esbracejar na terra, a florir, a cheirar bem e chegam umas aves muito prazenteiras e destemidas que voam milhares de quilómetros para apreciarem tudo isto. Algumas conheciam aqueles telhados, aqueles beirais, aquela torre sineira, as chaminés, as melhores rotas da lama, dos mosquitos que um dia serviriam de alimento à sua descendência. Já eram clientes habituais. A propósito, chegaram ontem, de verdade, a 16 de março!


Havia uma, a Sinhá, que se travou de amores por uma bola de pelo felpudinho que, nos voos rasantes, apreciava nos voos do seu céu azul.


Não se esqueçam que o nosso autor ainda está sentado na lua, espreitando à janela e observa tudo. Se a situação já era estranha para ele (tinha-se esquecido como tinha ido parar tão longe de casa, Zélia devia estar preocupada….), resolveu voltar o mundo de pernas para o ar: a lua vinha para o chão e ele podia descer, os telhados ficaram encantados, o Malhado apaixonou-se pela Sinhá, as sardinheiras ficaram floridas eternamente, desapareceram os ferozes cães e os donos arreliados, o sino começou a tocar a Primavera de Vivaldi, as casas branquearam com o luar, o sol brilhava devagar para não secar a lama com que Sinhá faria sua casinha, apareceriam muitos mosquitinhos e insetos curiosos e até desejosos de serem o futuro menu dos biquitos da prole da Sinhá. Como tudo estava encantado e mágico, o mais improvável aconteceu: o Malhado, movido pelas asinhas do Cupido atreveu-se a voar qual Ícaro e ajudava Sinhá nas suas tarefas, esta emprestou a sabedoria e a aerodinâmica ao Malhado e ensinou-o a voar.


Já observaram que não se vêm pessoas? Assustaram-se, foram embora para uma terra normalzinha, sem luas no chão, com o sol no seu lugar e a brilhar da forma habitual.


E Jorge Amado?


Esse, que era o Malhado, desceu da Lua, foi ter com Zélia que era a Sinhá e ainda hoje se estão a rir das estórias que nos contaram!




Foto: Osvaldo Castanheira - Texto: Maria dos Anjos Fernandes




30/03/2011

JOSÉ LUÍS PEIXOTO

JOSÉ LUÍS PEIXOTO VOLTA À FERREIRA….

2ª feira, 4 de abril, 10 horas na SR Leitura de Poemas.

Leitura de excertos de obras do autor.

Diálogo com o escritor.


27/03/2011

FOTOGRAFIA DA SEMANA

Cervantes passou por Lisboa e, com a pressa, veio só D. Quixote. Sancho Pança teve outros afazeres.


Então de que estávamos à espera?


Intacto, fica apenas o essencial. O belo arco, onde Gulliver já fez das suas num cenário dos liliputs. Tudo o resto está um caos. Valeu a D. Quixote o monte de terra para onde levou o seu jumento. Dali, (não é o Salvador…., é mesmo o sítio) tem uma vista privilegiada do Tejo que em Espanha já era seu, mas sem o encanto destas margens que levaram tantos Sanchos, não foi o Rei, já estava noutros domínios, coitado, mas os Panças, os espertos indigentes que se safaram de castigos, ou eram curiosos e partiram nas viagens de descoberta e navegaram para nos trazerem a canela e a pimenta. E depois o ouro, lá do Brasil, para que D. José, o verdadeiro cavaleiro do cavalo verde, que ninguém se atreveu a esconder, pudesse apreciar permanentemente o Tejo seu, a cidade bela de luz e, ao virar a cara, também apreciasse a cidade, com a esperança que o Marquês voltasse a pôr ordem e acelerasse obras que nenhum dos personagens desta estória mereciam.


Assim, quase tudo o que está escrito é mentira. A mentira dos marinheiros-ogres, dos moinhos de vento, dos Sanchos que não vieram ou partiram, de D. Quixote feito herói por Cervantes que não esteve em Lisboa e nunca viu ninfas nem Nereides da Ilha dos Amores. Só ficaram os Gulliveres, aqueles que conseguiram colocar e devolver, ao fim de muitos anos, o amarelo na Praça do Cais, chamada do Comércio, das belas Colunas, das pressas e dos encantos, dos encontros, dos olhares que já esqueceram o que talvez nunca vissem (só incomodava) e agora lá está D. José e a sua imponência, e o Marquês em linha recta, a conversarem, sobre Lisboa, sempre, sempre ‘Menina e Moça’!


Foto: Osvaldo Castanheira - Texto: Maria dos Anjos Fernandes



20/03/2011

FOTOGRAFIA da SEMANA


Não pode ser muito onírica a sensação de olhar e ver esta foto. Tem tudo para parecer normalizada, apresentando-nos o famosos e velhinho Globo Terrestre, mas também tem tudo para ser tenebrosa e causar-nos arrepios de um sólido tsunami. Se lermos o texto, percebemos que se trata de mostrar um trabalho feito para uma exposição e chocar, não pela exposição em si, mas pelo martírio artístico, obrigacional e sem qualquer prazer que deve ter provocado na artista. Presumo que depois de a realizar, se afastou de tal maneira do espaço (globo) terrestre, que desapareceu num qualquer cenário de alliens e não mais regressou.


Depois temos a tenebrosa guardiã da exposição: foi ‘escolhidinha a dedo’, não disfarça o frete de não saber os males que terá feito em vidas anteriores, para lhe atribuírem tão despropositada tarefa. Não disfarça a malvadez, nem a cara carrancuda esconde o horror de assustar o visitante. Se querem um conselho, não vão lá, fujam a sete pés, se não dela (mefistofélica, que até colocou uma tabuleta a dizer que podemos levar tudo, prontinho, como se de ‘comidinha a peso’ se tratasse), de tudo o resto….



E se a exposição já estiver noutra dimensão, de regresso ao futuro, sem sabermos? Não será ela a autora dos globos cheios de terra ou fita-cola a disfarçar (que será aquilo castanho?) que, arrependida por tão má escolha, nos esteja a chocar ainda mais, fazendo da sua cara outro globo monstruoso?

Apesar de tudo parecer errado: o gosto – indiscutível – de imaginar o planeta conspurcado e entrapado, não desanimemos! Pensemos na bela imagem que a Apollo XI tirou da “nossa redondinha”, do nosso planeta azulinho a flutuar no espaço universal da Via Láctea que arrepiaria de emoção o velhinho Tales de Mileto e até Galileu. Depois colemos definitivamente nas prateleiras os globos e, quiçá, possamos emparedá-los juntamente com a menina-funcionária-sabe-se-lá-o-quê, para não nos assustarmos mais com tamanhas fealdades!







Foto - Osvaldo Castanheira - Texto: Maria dos Anjos Fernandes

13/03/2011

FOTOGRAFIA DA SEMANA

A ROTUNDA
Dizia Victor Hugo que ‘a vida não passa de uma oportunidade de encontro’. Mas o passado nem Victor Hugo não voltam e não podem imaginar que há na vida coisas, muitas, que nunca se podem encontrar. Olhemos esta ilha de árvores, paradoxalmente uma rotunda (será mesmo ou não será, sendo apenas uma apertada curva de uma qualquer serra ou montanha do nosso “des-contentamento”?- Imaginemos o que os nossos olhos quiserem, em qualquer dos casos é um deslumbramento em nenhures….) que cumpre as devidas funções que os senhores do Código da Estrada determinaram, numa moda às vezes carnavalesca. Bem, estas árvores encontram-se num espaço, próximas como aqueles amigos que estão ali sempre connosco, aconteça o que acontecer. E como é bom e nós gostamos e ficamos felizes. Mas depois, olhamos melhor e observamos (sim, nós somos pessoas atentas) que aquele morrozinho veio mesmo a calhar! Transformaram-no em rotunda (pois assim seja e assim fique!), mas não deram conta que as árvores já não sorriem, estão sós e projectadas num vazio onde têm apenas o céu e as estrelas, quiçá a lua e o sol quando brilha. Terão a chuva a escoar-se por ali abaixo para o asfalto que não a absorve e para nada lhe serve. Se não a beberem pelas folhas, morrerão desidratadas e só ficará o morro/rotunda a cumprir as suas magníficas funções…..

Mas o que desvirtua mais o sábio Victor Hugo é o último olhar, aquele que nos revela que há coisas na vida que nunca têm oportunidades de se encontrarem. A fazer fé no sentido que os automóveis seguem e pensando que nenhum dos condutores é um sábio louco que resolve fazer uma inversão de marcha, aí os temos, na mesma direcção seguida, cada qual com seu destino, comum no passado de se depararem com um monte de árvores a servir de obrigação ao percurso do qual nenhum sabe, nem sequer que o outro existe e também está lá e vai, e segue…

Mas será que se encontram? Será que conseguirão a oportunidade irrepetível de se encontrarem numa estrada que segue, segue em frente, o caminho que lhe fizeram, de ida e volta, sem qualquer conhecimento dos mistérios insondáveis daqueles que se querem encontrar no mesmo caminho? Coitado do morro que, sem qualquer culpa, é a antítese de Victor Hugo!

E este? Teria razão?

Será mesmo a vida uma oportunidade de encontros ou desencontros? Os verdadeiros encontros não serão tão mágicos como a quadratura do círculo e este morro não será tão só um quadrado circular?


Foto: Osvaldo Castanheira - Texto: Maria dos Anjos Fernandes

27/02/2011

FOTOGRAFIA DA SEMANA


Quando os deuses construíram o mundo, inventaram umas pedrinhas muito pequeninas a que chamamos ‘areia’, inventaram desertos e praias, inventaram formas estranhas com as quais o vento se vai divertindo, moldando as dunas conforme lhe apraz.
Mas os deuses também inventaram seres animados, diz-se à sua semelhança e, não sendo puros espíritos, têm de ter algo para os albergar.
Então, aí estão os corpos, criações de muitas explicações, mas também nascidos e que crescendo, podem fazer muitas coisas que lhe vão apetecendo. Não se vestir e deitar nas tais pedrinhas pequeninas, confundindo as suas com as outras dunas. Umas e outras são belas.
Façamos apenas uma questão: serão as dunas que estão nuas perante o corpo que as usufrui ou será o corpo que está nu e se deleita nas dunas, imaginando que tiveram a mesma origem, que são almas gémeas e assim devem permanecer?

Foto: Osvaldo Castanheira - Texto: Maria dos Anjos Fernandes


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19/02/2011

FOTOGRAFIA da SEMANA

Há muito tempo, apareceu na Terra um ser estranho, vindo de uma galáxia distante, que se perdeu na amizade por um menino a quem fez voar numa simples bicicleta. Que se saiba, Júlio Verne nada teve a ver com este fenómeno. Que se saiba, o aviador que encantou um príncipe, possuía apenas um avião que queria consertar, quando se despenhou no deserto. Que se saiba, o Evereste é muito alto para alpinistas de bicicleta sem qualquer acompanhamento ou formação de João Garcia. Que se saiba, o salto não é para o vazio mas, na força de vontade, engenho e arte deste “saltador/saltimbanco ou saltimbanco/salteador”, estarão em simultâneo um ‘allien’ bondoso e divertido, a vontade de saltar mil léguas aéreas, o desenho de uma ovelha num bolso e, se solicitados, os conselhos de João Garcia sobre superar o impossível!

Foto: Osvaldo Castanheira - Texto: Maria dos Anjos Fernandes

13/02/2011

FOTOGRAFIA DA SEMANA

Na compra da moldura leve também o céu

As feiras mostram-nos de tudo um pouco, ali estão os vendedores e pregoeiros para nos venderem xailes e copos, cobres e casacos, gravatas e sapatos. Lá vamos nós, quais Fernão Mendes Pinto, peregrinando, procurando a melhor peça e que seja ao melhor preço. Aguardamos que a satisfação do vendedor se pacifique na nossa própria satisfação: uns e outros achamos que fizemos óptimo negócio e ficamos felizes. Que belo fim e que belo final….
Mas há feiras onde se encontram artigos muito especiais, com bancas mágicas, saídas de um qualquer Éden iraquiano (consta que o original lá ficava…) em que se oferecem verdadeiras pechinchas.
Fomos a esta feira e, nem mais nem menos, ofereciam-nos um pedaço de céu pintadinho de azul por algum Leonardo e com ilustrações de Paula Rego. Estava tudo encaixadinho numa moldura muito ‘naif’, sem acréscimo de preço. O vendedor apenas queria fazer negócio com a moldura, é que pedaços de céu não se esgotam assim de repente, Leonardo pintor nunca tinha conhecido nenhum e Paula Rego não era nome nem pessoa que lhe sugerisse pinturas estranhas de árvores personificadas em meninas que, transmutadas em Capuchinho Vermelho, nada queriam saber duma avó esfomeada e que morava longe.
Não comprámos a moldura: primeiro olhamos extasiados para o que o espelho reflectia, depois, fomos andando e, de graça, olhamos o céu e as árvores que lá ficaram para as feiras seguintes.

Foto: Osvaldo Castanheira - Texto: Maria dos Anjos Fernandes

06/02/2011

FOTOGRAFIA DA SEMANA

Era uma vez um mar, um rio, um lago.
Presumo que esta quantidade de água é mesmo um lago de há muitos anos; Tiberíades, na Galileia.
Apesar de não haver redes de pesca visíveis, coisa usual naquele tempo, alguns adiantados no tempo já usavam instrumentos modernos para retirar os peixinhos do seu ecológico e natural ambiente.
Mesmo esses foram descuidados ou curiosos.
Ouviram a história de um Homem Especial que por ali andava, procurando pescadores de outros elementos.
Então tiveram uma ideia brilhante: deixaram as canas do futuro que, por acaso, estavam deslocadas no passado, e também eles partiram, em busca de outras pescarias.
Nunca se chegou a saber se houve peixe que acedesse ao isco, ou se as canas cristalizaram e ficaram imóveis para nos lembrar que o tempo do passado se pode repetir no futuro.
O que é certo, é que lá continuam, como memória dos afazeres praticados naquelas bandas.
Os seus donos correram mundo, esqueceram-nas e nas pescarias tiveram outras sortes.
As canas são como a Excalibur. Apenas o Rei Artur a conseguiu retirar da rocha. Estas, das águas também não saem, a não ser que Pedro e Simão ou João ou Tomé, quem sabe Tiago, regressem e as resgatem, mais aos peixinhos que a esta hora talvez tenham ido juntar-se ao Nemo e procurem, procurem....
E nós, só recebemos as estórias e a foto de quem lá esteve e registou, ou não esteve e apenas sonhou.

Sonhemos também. Tudo é real e, quando queremos, o milagre acontece!


Foto: Osvaldo Castanheira - Texto: Maria dos Anjos Fernandes

29/01/2011

FOTOGRAFIA DA SEMANA

MARTE
O título da foto leva-nos a subverter.
Costumamos dizer que, por vezes, se fala a verdade a mentir.
Neste caso, apresentamos uma mentira, absoluta, e mentimos mesmo…. Deliberadamente.
Mas o trabalho da razão pode ser tão enfadonho que, contrariando o filósofo Descartes, devemos usar e abusar da imaginação.
Não estão lá os marcianos verdinhos? Quem disse? Já olharam bem?
Então, quem manobra a tecnologia amarela? Quem a colocou lá? Quem viajou com ela às costas, sem o peso da gravidade? Quem a abastece de combustível?
Não os vêm, a trabalhar afanosa e meticulosamente, tão bem organizados?
Olhem, olhem, porque eles olham melhor.
Nós só os vemos na imaginação e, de concreto, temos o testemunho do desbaste de tanta pedra!
Mas eles observam-nos através do seu olhar ciclópico e perscrutam-nos os pensamentos mais profundos e arrecadados. Nada lhes escapa!
Eles lá….
Nós cá….
A razão nos terráqueos…
A ilusão nos marcianos…
A imaginação na Via Láctea….
Agradeçamos ao Universo!

Foto: Osvaldo Castanheira - Texto: Maria dos Anjos Fernandes



24/01/2011

FOTOGRAFIA da SEMANA


Que seria do alfaiate se não fosse a Virgem?
Que seria de um candeeiro, sem o outro candeeiro?
Que seria do esquadro se não fossem os moldes?
Que seria da tesoura se não fossem os tecidos?
Que seria da máquina se não fosse a fita métrica?
Que seria do quartinho branco se não fossem os fatos negros?
Que seria da parede se não fosse o espelho?
Que seria do espelho se não fosses tu?


Foto: Osvaldo Castanhareira - Texto: Maria dos Anjos Fernandes


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17/01/2011

FOTOGRAFIA da SEMANA

E ali estou eu, estás tu e toda a gente a olhar a outra margem, para a qual as aéreas passagens, neste momento, de nada nos servem. Também não as quero, não as queres. Desejo, desejas apenas ser água, fundir-me, fundires-te com o rio. Rio que também leva algumas mágoas.
Ai as mágoas que não nos lavam nem nos levam!
As pontes desafiam a água que desafia as pontes pelas quais passa irrepetidamente.
Eu, tu e toda a gente, estamos ali, fazemos parte das pontes, do rio, da água que purifica , regenera e dá a vida ou a morte.
Conforme… Conforme…

Foto: Osvaldo Castanheira - Texto: Maria dos Anjos Fernandes


12/01/2011

FOTOGRAFIA da SEMANA



Se o arco-íris se materializasse, poucas cores faltariam para que o nosso olhar levasse à imaginação aquilo que lá deve estar sempre: o sonho.

O azul do céu, mesclado de algodão doce apetece tocar e saborear.
Na terra, de verde vestida, apetece colocar o corpo e todos os sentidos.
Apetece deixar a brisa acariciar o rosto e aproveitar os sentidos para sentir, ver, cheirar, tocar.
Deixar seguir os que na ponte passam de forma tão aerodinâmica e colorida, que nos saúdam, sem pressa de chegar, tal como não temos pressa de partir, quiçá eufóricos de tanto pedalar.

E nós pensamos: ‘há terra e ar’.
Depois… ali ficar!

Foto: Osvaldo Castanheira Texto: Maria dos Anjos Fernandes


18/12/2010

FOTOGRAFIA DA SEMANA



Iludamos a razão e a visão.

O que vemos é um edifício - Escola - transformado, através do espelho de água no 'nosso Taj Mahal'. Aqui, também há príncipes de vários nomes que se enamoram de princesas, cruzando-se acidentalmente....

O desfecho das estórias não costuma ser trágico, as princesas não morrem. Podem sucumbir às equações matemáticas, aos contratos de leitura, às reflexões filosóficas, às sinapses neuronais, baralhar toda a História e lugares geográficos; podem não saber dissecar uma râ e ainda não foi encontrada a Pedra Filosofal dos alquimistas. No entanto, este edifício (Taj Mahal Ferreira Dias) representa, para muitos alunos que o frequentam, uma das sete maravilhas do mundo, porque aqui se tornam estudantes-pessoas-estudantes- que iniciam a construção do seu futuro, ode ao Amor de uma existência feliz. Eis aqui o Monumento partilhado por aprendizes e seus mestres, nunca esquecido na vida e futuro, que se constrói em cada dia.

E o mundo interior de cada um jamais pode esquecer.
'Taj Mahal- Ferreira Dias': não é uma lágrima solitária no tempo, mas a alegria imensa de antecipação do futuro.

De todos:
Para todos!


Foto. Osvaldo Castanheira - Texto: Mariados Anjos Fernandes