27/03/2011

FOTOGRAFIA DA SEMANA

Cervantes passou por Lisboa e, com a pressa, veio só D. Quixote. Sancho Pança teve outros afazeres.


Então de que estávamos à espera?


Intacto, fica apenas o essencial. O belo arco, onde Gulliver já fez das suas num cenário dos liliputs. Tudo o resto está um caos. Valeu a D. Quixote o monte de terra para onde levou o seu jumento. Dali, (não é o Salvador…., é mesmo o sítio) tem uma vista privilegiada do Tejo que em Espanha já era seu, mas sem o encanto destas margens que levaram tantos Sanchos, não foi o Rei, já estava noutros domínios, coitado, mas os Panças, os espertos indigentes que se safaram de castigos, ou eram curiosos e partiram nas viagens de descoberta e navegaram para nos trazerem a canela e a pimenta. E depois o ouro, lá do Brasil, para que D. José, o verdadeiro cavaleiro do cavalo verde, que ninguém se atreveu a esconder, pudesse apreciar permanentemente o Tejo seu, a cidade bela de luz e, ao virar a cara, também apreciasse a cidade, com a esperança que o Marquês voltasse a pôr ordem e acelerasse obras que nenhum dos personagens desta estória mereciam.


Assim, quase tudo o que está escrito é mentira. A mentira dos marinheiros-ogres, dos moinhos de vento, dos Sanchos que não vieram ou partiram, de D. Quixote feito herói por Cervantes que não esteve em Lisboa e nunca viu ninfas nem Nereides da Ilha dos Amores. Só ficaram os Gulliveres, aqueles que conseguiram colocar e devolver, ao fim de muitos anos, o amarelo na Praça do Cais, chamada do Comércio, das belas Colunas, das pressas e dos encantos, dos encontros, dos olhares que já esqueceram o que talvez nunca vissem (só incomodava) e agora lá está D. José e a sua imponência, e o Marquês em linha recta, a conversarem, sobre Lisboa, sempre, sempre ‘Menina e Moça’!


Foto: Osvaldo Castanheira - Texto: Maria dos Anjos Fernandes



20/03/2011

FOTOGRAFIA da SEMANA


Não pode ser muito onírica a sensação de olhar e ver esta foto. Tem tudo para parecer normalizada, apresentando-nos o famosos e velhinho Globo Terrestre, mas também tem tudo para ser tenebrosa e causar-nos arrepios de um sólido tsunami. Se lermos o texto, percebemos que se trata de mostrar um trabalho feito para uma exposição e chocar, não pela exposição em si, mas pelo martírio artístico, obrigacional e sem qualquer prazer que deve ter provocado na artista. Presumo que depois de a realizar, se afastou de tal maneira do espaço (globo) terrestre, que desapareceu num qualquer cenário de alliens e não mais regressou.


Depois temos a tenebrosa guardiã da exposição: foi ‘escolhidinha a dedo’, não disfarça o frete de não saber os males que terá feito em vidas anteriores, para lhe atribuírem tão despropositada tarefa. Não disfarça a malvadez, nem a cara carrancuda esconde o horror de assustar o visitante. Se querem um conselho, não vão lá, fujam a sete pés, se não dela (mefistofélica, que até colocou uma tabuleta a dizer que podemos levar tudo, prontinho, como se de ‘comidinha a peso’ se tratasse), de tudo o resto….



E se a exposição já estiver noutra dimensão, de regresso ao futuro, sem sabermos? Não será ela a autora dos globos cheios de terra ou fita-cola a disfarçar (que será aquilo castanho?) que, arrependida por tão má escolha, nos esteja a chocar ainda mais, fazendo da sua cara outro globo monstruoso?

Apesar de tudo parecer errado: o gosto – indiscutível – de imaginar o planeta conspurcado e entrapado, não desanimemos! Pensemos na bela imagem que a Apollo XI tirou da “nossa redondinha”, do nosso planeta azulinho a flutuar no espaço universal da Via Láctea que arrepiaria de emoção o velhinho Tales de Mileto e até Galileu. Depois colemos definitivamente nas prateleiras os globos e, quiçá, possamos emparedá-los juntamente com a menina-funcionária-sabe-se-lá-o-quê, para não nos assustarmos mais com tamanhas fealdades!







Foto - Osvaldo Castanheira - Texto: Maria dos Anjos Fernandes

SEMANA DAS CIÊNCIAS SOCIAIS E HUMANAS

PROGRAMA:

18/03/2011

SEMANA DAS CIÊNCIAS SOCIAIS E HUMANAS


SEMANA DAS CIÊNCIAS SOCIAIS E HUMANAS


CONCURSO JOVENS CIENTISTAS


O 19.º concurso Jovens Cientistas e Investigadores, organizado pela Fundação da Juventude, tem por objectivo estimular a cooperação e o intercâmbio entre jovens cientistas e investigadores, promovendo novos talentos nas áreas da ciência, tecnologia, investigação e inovação.
Destina-se a premiar projectos científicos realizados por alunos que frequentam os ensinos básico e secundário e o 1.º ano do ensino superior, com idades compreendidas entre os 15 e os 20 anos.
Podem ser apresentados trabalhos, individualmente ou em grupo, com o máximo de três elementos, numa das seguintes áreas científicas: biologia, ciências da Terra, ciências do ambiente, ciências médicas, ciências sociais, economia, engenharias, física, informática/ciências da computação, matemática e química.
A submissão dos projectos decorre, por via electrónica, até 16 de Abril. Os trabalhos premiados e outros projectos seleccionados para o efeito vão integrar a V Mostra Nacional de Ciência, a decorrer de 26 a 28 de Maio, no Museu da Electricidade, em Lisboa.

Para mais informações, consultar:
• A página da Fundação da Juventude – Concurso Jovens Cientistas e Investigadores:
http://www.fjuventude.pt/pagnoticias-143-19a-edicao-do-concurso-de-jovens-cientistas-e-investigadores
Informação fornecida pela professora Helena Freitas e disponível em :
http://www.min-edu.pt/

SEMANA INTERNACIONAL DO CÉREBRO


No âmbito da Semana Internacional do Cérebro e dinamizado pela turma 12º C1 – Projecto “ Aromaterapia e a Memória Declarativa” desenvolvido pelos alunos João Relvas, Pedro Mateus, Rosana Silva e Vanessa Tolentino e orientados pela professora Helena Freitas, deslocam-se à escola no dia 29 de Março de 2011 pelas 10.00 h dois neurocientistas do Programa de Neurociências da Fundação Champalimaud.
Esta iniciativa, organizada pela Sociedade Portuguesa de Neurociências em colaboração com a Sociedade Portuguesa de Bioquímica e a Ciência Viva, pretende divulgar os progressos e os benefícios da investigação científica na área do cérebro.
O programa de Neurociências da Fundação Champalimaud contempla a área temática:
“Os Neurocientistas Vão à Escola”
em duas sessões de 45 min cada uma para as turmas 12º C1, 12º C3 , 12º C4 e 12º C6, asseguradas por investigadores da Sociedade Portuguesa de Neurociências.

Os Alunos do 12º C1 :
João Relvas
Pedro Mateus
Rosana Silva
Vanessa Tolentino

E a professora Coordenadora
Helena Freitas

14/03/2011

ATREVE-TE A LER

E a crónica vencedora do mês de Fevereiro, é:

A MENINA DO MAR – SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN
CRÓNICA

Esta história de Sophia de Mello B. Andresen fala-nos de coisas fundamentais para a vida. Fala-nos da amizade, da partilha, da alegria, da tristeza e da saudade. Fala-nos também daquilo que podemos aprender uns com os outros, embora numa terra e num mar de faz-de-conta. Mas, com é uma história, tudo tem de ser a fazer-de-conta.
Há um rapaz que vive na terra, numa casa que até tem um jardim e flores, gosta do mar onde não pode viver, só olhar, nadar e aquecer-se na areia e nas rochas quando há sol.
Depois, num dia habitual, há coisas estranhas que aconteceram. Risos mágicos de um peixe, de um polvo, de um caranguejo e de uma menina muito, muito pequenina. Conheceram-se sem precisarem de saber os nomes, eram apenas o rapaz, a menina, o polvo, o peixe e o caranguejo. Tornaram-se amigos e partilharam os segredos e as coisas mais banais das suas vidas. O rapaz foi mostrando como na Terra existem épocas, estações do ano, com coisas que as diferenciam: na primavera há flores, no verão o calor do sol aquece como o fogo, no outono, as colheitas dos frutos, as vindimas, que permite
m colher os frutos das videiras e fazer vinho que dá muita alegria quando se bebe em cálices muito pequeninos.
Foi então que o rapaz teve vontade de conhecer e viver no mar e a Menina teve vontade de conhecer e viver na Terra.
Mas a Menina era como uma sereia pequenina, não podia sair da água, ficava seca como uma folha de jornal e morria. O Rapaz não podia viver no mar, afogava-se e morria também.
Decidiram fugir os dois: o Rapaz colocava a Menina num balde com água e podia mostrar-lhe as maravilhas da Terra. Isto foi o que eles imaginaram. Não puderam fazê-lo. Outros polvos ouviram, foram contar à Raia, Rainha, para quem a Menina dançava nas festas marinhas e os amigos tiveram de separar-se. No mar, também há castigos, a Raia enviou a Menina para outros mares e outras praias. A partir daí, a alegrias transformou-se em tristeza, a saudade que fica nos corações quando aqueles de quem gostamos se vão embora. Viviam infelizes, um sem o outro.
Até que um dia, surgiu no céu uma gaivota com um presente estranho para o rapaz.
Querem saber o que era?
Leiam a história e fiquem a saber que, quando a amizade é verdadeira, Terra e Mar, são apenas lugares possíveis para que a felicidade aconteça.

Parabéns à vencedora Isabel Garcia

13/03/2011

FOTOGRAFIA DA SEMANA

A ROTUNDA
Dizia Victor Hugo que ‘a vida não passa de uma oportunidade de encontro’. Mas o passado nem Victor Hugo não voltam e não podem imaginar que há na vida coisas, muitas, que nunca se podem encontrar. Olhemos esta ilha de árvores, paradoxalmente uma rotunda (será mesmo ou não será, sendo apenas uma apertada curva de uma qualquer serra ou montanha do nosso “des-contentamento”?- Imaginemos o que os nossos olhos quiserem, em qualquer dos casos é um deslumbramento em nenhures….) que cumpre as devidas funções que os senhores do Código da Estrada determinaram, numa moda às vezes carnavalesca. Bem, estas árvores encontram-se num espaço, próximas como aqueles amigos que estão ali sempre connosco, aconteça o que acontecer. E como é bom e nós gostamos e ficamos felizes. Mas depois, olhamos melhor e observamos (sim, nós somos pessoas atentas) que aquele morrozinho veio mesmo a calhar! Transformaram-no em rotunda (pois assim seja e assim fique!), mas não deram conta que as árvores já não sorriem, estão sós e projectadas num vazio onde têm apenas o céu e as estrelas, quiçá a lua e o sol quando brilha. Terão a chuva a escoar-se por ali abaixo para o asfalto que não a absorve e para nada lhe serve. Se não a beberem pelas folhas, morrerão desidratadas e só ficará o morro/rotunda a cumprir as suas magníficas funções…..

Mas o que desvirtua mais o sábio Victor Hugo é o último olhar, aquele que nos revela que há coisas na vida que nunca têm oportunidades de se encontrarem. A fazer fé no sentido que os automóveis seguem e pensando que nenhum dos condutores é um sábio louco que resolve fazer uma inversão de marcha, aí os temos, na mesma direcção seguida, cada qual com seu destino, comum no passado de se depararem com um monte de árvores a servir de obrigação ao percurso do qual nenhum sabe, nem sequer que o outro existe e também está lá e vai, e segue…

Mas será que se encontram? Será que conseguirão a oportunidade irrepetível de se encontrarem numa estrada que segue, segue em frente, o caminho que lhe fizeram, de ida e volta, sem qualquer conhecimento dos mistérios insondáveis daqueles que se querem encontrar no mesmo caminho? Coitado do morro que, sem qualquer culpa, é a antítese de Victor Hugo!

E este? Teria razão?

Será mesmo a vida uma oportunidade de encontros ou desencontros? Os verdadeiros encontros não serão tão mágicos como a quadratura do círculo e este morro não será tão só um quadrado circular?


Foto: Osvaldo Castanheira - Texto: Maria dos Anjos Fernandes

27/02/2011

FOTOGRAFIA DA SEMANA


Quando os deuses construíram o mundo, inventaram umas pedrinhas muito pequeninas a que chamamos ‘areia’, inventaram desertos e praias, inventaram formas estranhas com as quais o vento se vai divertindo, moldando as dunas conforme lhe apraz.
Mas os deuses também inventaram seres animados, diz-se à sua semelhança e, não sendo puros espíritos, têm de ter algo para os albergar.
Então, aí estão os corpos, criações de muitas explicações, mas também nascidos e que crescendo, podem fazer muitas coisas que lhe vão apetecendo. Não se vestir e deitar nas tais pedrinhas pequeninas, confundindo as suas com as outras dunas. Umas e outras são belas.
Façamos apenas uma questão: serão as dunas que estão nuas perante o corpo que as usufrui ou será o corpo que está nu e se deleita nas dunas, imaginando que tiveram a mesma origem, que são almas gémeas e assim devem permanecer?

Foto: Osvaldo Castanheira - Texto: Maria dos Anjos Fernandes


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19/02/2011

FOTOGRAFIA da SEMANA

Há muito tempo, apareceu na Terra um ser estranho, vindo de uma galáxia distante, que se perdeu na amizade por um menino a quem fez voar numa simples bicicleta. Que se saiba, Júlio Verne nada teve a ver com este fenómeno. Que se saiba, o aviador que encantou um príncipe, possuía apenas um avião que queria consertar, quando se despenhou no deserto. Que se saiba, o Evereste é muito alto para alpinistas de bicicleta sem qualquer acompanhamento ou formação de João Garcia. Que se saiba, o salto não é para o vazio mas, na força de vontade, engenho e arte deste “saltador/saltimbanco ou saltimbanco/salteador”, estarão em simultâneo um ‘allien’ bondoso e divertido, a vontade de saltar mil léguas aéreas, o desenho de uma ovelha num bolso e, se solicitados, os conselhos de João Garcia sobre superar o impossível!

Foto: Osvaldo Castanheira - Texto: Maria dos Anjos Fernandes

15/02/2011

DIA dos NAMORADOS

Estamos no Dia dos Afectos: Faz de conta, convenção social ou não, consumismo e blá...., blá, o que interessa são os afectos e preservarmos a importânciia deles e das emoções.

Nunca devemos esquecer que gostamos uns dos outros e, se não gostamos, teremos de aprender a gostar, com os nossos defeitos e algumas virtudes.

Por isso, em jeito de homenagem (meio a brincar, mas de afectos a sério), partilhamos com toda a comunidade educativa os anexos escolhidos e elaborados para enfeitar a vitrina da BE, relativamente a este dia.

Em nome da Equipa da BE. Esperamos que se inspirem....




13/02/2011

FOTOGRAFIA DA SEMANA

Na compra da moldura leve também o céu

As feiras mostram-nos de tudo um pouco, ali estão os vendedores e pregoeiros para nos venderem xailes e copos, cobres e casacos, gravatas e sapatos. Lá vamos nós, quais Fernão Mendes Pinto, peregrinando, procurando a melhor peça e que seja ao melhor preço. Aguardamos que a satisfação do vendedor se pacifique na nossa própria satisfação: uns e outros achamos que fizemos óptimo negócio e ficamos felizes. Que belo fim e que belo final….
Mas há feiras onde se encontram artigos muito especiais, com bancas mágicas, saídas de um qualquer Éden iraquiano (consta que o original lá ficava…) em que se oferecem verdadeiras pechinchas.
Fomos a esta feira e, nem mais nem menos, ofereciam-nos um pedaço de céu pintadinho de azul por algum Leonardo e com ilustrações de Paula Rego. Estava tudo encaixadinho numa moldura muito ‘naif’, sem acréscimo de preço. O vendedor apenas queria fazer negócio com a moldura, é que pedaços de céu não se esgotam assim de repente, Leonardo pintor nunca tinha conhecido nenhum e Paula Rego não era nome nem pessoa que lhe sugerisse pinturas estranhas de árvores personificadas em meninas que, transmutadas em Capuchinho Vermelho, nada queriam saber duma avó esfomeada e que morava longe.
Não comprámos a moldura: primeiro olhamos extasiados para o que o espelho reflectia, depois, fomos andando e, de graça, olhamos o céu e as árvores que lá ficaram para as feiras seguintes.

Foto: Osvaldo Castanheira - Texto: Maria dos Anjos Fernandes

11/02/2011

ATREVE-TE A LER

ATREVE-TE A LER

E a crónica vencedora, do mês de janeiro, é:

Um livro… O livro…
Livro
Primeiro uma história, bem narrada, de emigração nos anos 60, com a mãe que deixa o filho ainda criança para procurar uma vida melhor. Numa pequena comunidade fechada de um país dominado por uma moral conservadora, ouvimos a dificuldade que Ilídio tem de compreender a partida da mãe e o modo como se adapta às novas companhias, as brincadeiras com os amigos, os amores de Adelaide.
Depois a ida para França, como tantos outros nesse tempo na luta pela sobrevivência, as peripécias, a aventura, os desencontros com Adelaide, também ela emigrante.
Mas, de repente, é já Abril de 1974, é tempo de regresso e de reencontro com um mundo que já não é o mesmo. Agora, a história deixa o tom lento e magoado e acelera, toma um tom de festa.
E entra-se na segunda parte, mais curta, inesperada e desconcertante.
O tema escolhido para este livro é explicado pelo próprio autor: «Existe uma relação pessoal com esse tema, baseada no facto dos meus pais terem emigrado para França e de eu ter crescido com essa mitologia de ouvir falar do que era a emigração e do que tinha sido a experiência deles, sem que eu nunca a tivesse vivido».
E o título?
Quanto ao título, ele é explicado em vários momentos ao longo da obra.
Leia e descubra.


Parabéns à vencedora Ana Brito da Luz

06/02/2011

FOTOGRAFIA DA SEMANA

Era uma vez um mar, um rio, um lago.
Presumo que esta quantidade de água é mesmo um lago de há muitos anos; Tiberíades, na Galileia.
Apesar de não haver redes de pesca visíveis, coisa usual naquele tempo, alguns adiantados no tempo já usavam instrumentos modernos para retirar os peixinhos do seu ecológico e natural ambiente.
Mesmo esses foram descuidados ou curiosos.
Ouviram a história de um Homem Especial que por ali andava, procurando pescadores de outros elementos.
Então tiveram uma ideia brilhante: deixaram as canas do futuro que, por acaso, estavam deslocadas no passado, e também eles partiram, em busca de outras pescarias.
Nunca se chegou a saber se houve peixe que acedesse ao isco, ou se as canas cristalizaram e ficaram imóveis para nos lembrar que o tempo do passado se pode repetir no futuro.
O que é certo, é que lá continuam, como memória dos afazeres praticados naquelas bandas.
Os seus donos correram mundo, esqueceram-nas e nas pescarias tiveram outras sortes.
As canas são como a Excalibur. Apenas o Rei Artur a conseguiu retirar da rocha. Estas, das águas também não saem, a não ser que Pedro e Simão ou João ou Tomé, quem sabe Tiago, regressem e as resgatem, mais aos peixinhos que a esta hora talvez tenham ido juntar-se ao Nemo e procurem, procurem....
E nós, só recebemos as estórias e a foto de quem lá esteve e registou, ou não esteve e apenas sonhou.

Sonhemos também. Tudo é real e, quando queremos, o milagre acontece!


Foto: Osvaldo Castanheira - Texto: Maria dos Anjos Fernandes

02/02/2011

"ÚLTIMA" AULA da NOSSA QUERIDA ANA BELA

Arte, Cultura, História – Aula da professora Ana Bela Castelo

A 20 de Janeiro, na sala de reuniões da Ferreira Dias, por iniciativa do CLIO, Clube de História e Património e dos professores de História, a professora Ana Bela Castelo, que agora se aposentou ao fim de 38 anos na nossa escola, deu a sua “última lição”, cujo tema foi – “História, Cultura e Arte”.
Antigos e actuais alunos, antigos e actuais professores e antigos alunos hoje professores, seguiram atentos uma palestra onde se ouviu música ( Vivaldi, Mozart, Handael) para ilustrar as fases da Vida e as épocas da História; se aconselharam romances que, recriando personagens e factos históricos, nos fazem “viver” ao ritmo das suas personagens; se viajou pela Arte de Picasso e por espaços de Siza Vieira e Souto Moura, tão diferentes como o podem ser uma Casa de Chá, uma Igreja e um Estádio de Futebol.
Da diversidade de tudo o que foi dito e mostrado, de muitas histórias e memórias, de um enorme orgulho na sua profissão/missão e de uma grande empatia com o seu público – desta vez composto não apenas por jovens - assim se fez uma excelente lição de uma grande professora, que não só encantou como...cantou!
O poema era de Fernando Pessoa e não podia vir mais a propósito – “Tudo vale a pena se a alma não é pequena!”



31/01/2011

BIGODES E CHAPÉUS






No âmbito das comemorações do Centenário da República, o Clio, Clube de História e Património, promove o concurso “Bigodes e Chapéus Republicanos na Ferreira”.

Qualquer aluno, independentemente do seu ano de escolaridade, poderá concorrer, devendo para isso:

Inscrever-se provisoriamente na Biblioteca da escola, até dia 23 de Fevereiro, indicando em qual das vertente pretende concorrer – Bigode (masculno) ou Chapéu (feminino).

Confeccionar no material que entender (tecidos, lãs, arame, papel...) um bigode ou um chapéu inspirados nos usados no tempo da 1ª República e apresentá-lo no dia 3 de Março de 2011 em hora e local a determinar, ao júri entretanto constituído e aos restantes elementos da comunidade educativa (desfile de todos os concorrentes).

• O júri será constituído por professores de História e de Artes Visuais e representantes dos alunos e a escolha será feita com base na verosimilhança relativamente à época e na imaginação e capacidade de confecção dos concorrentes.

O prémio será um Cheque FNAC no valor de 50 euros para cada uma das modalidades – melhor bigode e melhor chapéu.

Mais informações no placard do CLIO, átrio do piso 1.

Mãos à obra – inicia a tua pesquisa e dá asas à imaginação!

29/01/2011

"LUSÍADAS" e "MENSAGEM"

Para quem ainda tem, à flor da pele, a alma portuguesa, estas duas palavras, como títulos, lembram-nos algo grandioso do passado deste povo, que à deriva partiu e novos mundos encontrou.
À primeira vista, parece nada terem em comum um com o outro, nem na cronologia temporal, nem no conteúdo.
No entanto, várias turmas de 12º ano da nossa escola, tiveram o privilégio de ouvir a palestra do Dr. António Carlos Cortez e perceberem a simbiose das obras. Sebastião, ‘o desejado’, é apenas um dos pormenores do livro das ninfas e dos amores, assim como D. Dinis também aparece na Mensagem (Portugal) e deseja um bom futuro, brilhante, pleno de caravelas e naus futuras, que não viu, mas anteviu.
Os alunos escutaram com muita atenção e todos agradecemos a possibilidade de saberes que nos levaram do misticismo bíblico aos conselhos do esforço e trabalho necessários para, de forma científica, haver a capacidade de triunfo no estudo e comentário científico das obras estudadas.
Só podemos, como professores, em nome de toda a escola e dos alunos, agradecer a partilha tão séria, mas comunicada de forma brilhante, que não cansou, mas encantou.

Obrigada Dr. António C. Cortez

FOTOGRAFIA DA SEMANA

MARTE
O título da foto leva-nos a subverter.
Costumamos dizer que, por vezes, se fala a verdade a mentir.
Neste caso, apresentamos uma mentira, absoluta, e mentimos mesmo…. Deliberadamente.
Mas o trabalho da razão pode ser tão enfadonho que, contrariando o filósofo Descartes, devemos usar e abusar da imaginação.
Não estão lá os marcianos verdinhos? Quem disse? Já olharam bem?
Então, quem manobra a tecnologia amarela? Quem a colocou lá? Quem viajou com ela às costas, sem o peso da gravidade? Quem a abastece de combustível?
Não os vêm, a trabalhar afanosa e meticulosamente, tão bem organizados?
Olhem, olhem, porque eles olham melhor.
Nós só os vemos na imaginação e, de concreto, temos o testemunho do desbaste de tanta pedra!
Mas eles observam-nos através do seu olhar ciclópico e perscrutam-nos os pensamentos mais profundos e arrecadados. Nada lhes escapa!
Eles lá….
Nós cá….
A razão nos terráqueos…
A ilusão nos marcianos…
A imaginação na Via Láctea….
Agradeçamos ao Universo!

Foto: Osvaldo Castanheira - Texto: Maria dos Anjos Fernandes



LUÍS de CAMÕES e FERNANDO PESSOA


24/01/2011

FOTOGRAFIA da SEMANA


Que seria do alfaiate se não fosse a Virgem?
Que seria de um candeeiro, sem o outro candeeiro?
Que seria do esquadro se não fossem os moldes?
Que seria da tesoura se não fossem os tecidos?
Que seria da máquina se não fosse a fita métrica?
Que seria do quartinho branco se não fossem os fatos negros?
Que seria da parede se não fosse o espelho?
Que seria do espelho se não fosses tu?


Foto: Osvaldo Castanhareira - Texto: Maria dos Anjos Fernandes


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21/01/2011

Aromaterapia e a Memória Declarativa


"O grupo SNIFF, constituído por alunos do 12ºC1, está a desenvolver um projecto no âmbito da área curricular de Área de Projecto. Segue-se uma sucinta descrição das bases teóricas que permitiram ao grupo aumentar o seu grau de conhecimento quanto aos temas em foco. Antes de mais, o objectivo do projecto do grupo SNIFF é investigar uma relação verificada entre os Óleos Essenciais de algumas plantas e a melhoria significativa da memória.

- Qual a Relação entre a Aromaterapia e a Memória Declarativa?
A aromaterapia é considerada uma terapia alternativa ou complementar, embora seja um tratamento bastante antigo, que surgiu da fitoterapia (prática terapeuta baseada em preparados derivados de plantas). Aromaterapia é, tal como o próprio nome indica, uma terapia baseada em aromas – óleos extremamente concentrados, extraídos de flores, raízes, folhas, sementes, ervas, madeira e resinas. Esses extractos, chamados essências ou óleos essenciais, contêm as substâncias que dão perfume às plantas, sendo que o seu odor é a característica potencializada. São utilizados na prevenção e no tratamento de doenças físicas e psicológicas.
No entanto, a Aromaterapia deve ser sempre empregue com cautela e de preferência, guiada por um profissional especializado, que saberá verificar as contra-indicações, além de dosagens indicadas e formas de uso.
A memória surge como um processo de retenção de informações no qual experiências, vivências e conhecimento são arquivados e recuperados quando são necessárias. É uma função cerebral superior relacionada com o arquivo de informações obtidas em experiências vividas e conhecimentos adquiridos.
O termo memória tem sua origem semântica no latim e significa a faculdade de reter e/ou readquirir ideias, imagens, expressões e conhecimentos adquiridos anteriormente.
A memória é uma faculdade cognitiva extremamente importante, dado que forma a base que possibilita a aprendizagem. Se esta base não existisse, não teríamos forma de tirar proveito da experiência passada.
Assim, aprendizagem e a memória são o suporte para todo o nosso conhecimento, assim como habilidades e planeamento, possibilitando a recordação do passado, a vivência do presente e a previsão do futuro.
Se quer saber mais sobre este projecto, sobre os elementos constituem o grupo SNIFF ou sobre a ESFD, visite-nos clicando no nosso logótipo, no fim da barra lateral.

19/01/2011

TRABALHOS DE ALUNOS - NATAL 2010


Estes foram alguns dos trabalhos apresentados, pelos nossos alunos dos 7º, 8º e 9º anos. Todos os trabalhos foram realizados nas aulas de Português e Francês.





















17/01/2011

FOTOGRAFIA da SEMANA

E ali estou eu, estás tu e toda a gente a olhar a outra margem, para a qual as aéreas passagens, neste momento, de nada nos servem. Também não as quero, não as queres. Desejo, desejas apenas ser água, fundir-me, fundires-te com o rio. Rio que também leva algumas mágoas.
Ai as mágoas que não nos lavam nem nos levam!
As pontes desafiam a água que desafia as pontes pelas quais passa irrepetidamente.
Eu, tu e toda a gente, estamos ali, fazemos parte das pontes, do rio, da água que purifica , regenera e dá a vida ou a morte.
Conforme… Conforme…

Foto: Osvaldo Castanheira - Texto: Maria dos Anjos Fernandes


12/01/2011

FOTOGRAFIA da SEMANA



Se o arco-íris se materializasse, poucas cores faltariam para que o nosso olhar levasse à imaginação aquilo que lá deve estar sempre: o sonho.

O azul do céu, mesclado de algodão doce apetece tocar e saborear.
Na terra, de verde vestida, apetece colocar o corpo e todos os sentidos.
Apetece deixar a brisa acariciar o rosto e aproveitar os sentidos para sentir, ver, cheirar, tocar.
Deixar seguir os que na ponte passam de forma tão aerodinâmica e colorida, que nos saúdam, sem pressa de chegar, tal como não temos pressa de partir, quiçá eufóricos de tanto pedalar.

E nós pensamos: ‘há terra e ar’.
Depois… ali ficar!

Foto: Osvaldo Castanheira Texto: Maria dos Anjos Fernandes


07/01/2011

ATREVE-TE A LER!


A Biblioteca Escolar lança, a partir de Janeiro de 2011, um desafio a toda a Comunidade Educativa.

"ATREVE-TE A LER!"
implica, em cada mês, a leitura reflexiva de uma Obra proposta pela BE.
A melhor apreciação crítica/crónica sobre a Obra será premiada e postada no Blogue da BE.
Os textos deverão ser escritos em TNR, 12, numa pg. A4 e entregues na BE.
A Actividade está divulgada no Blogue da BE, bbteca.blogspot.com e na Página web da Escola.
Esta Actividade pressupõe o dinamismo do Domínio B- MABE (Modelo de Auto-avaliação das Bibliotecas escolares), Leitura e Literacia.

Os Objectivos são os seguintes:
- incentivar o gosto e a prática continuada da Leitura,
- adquirir hábitos de literacia,
- melhorar os resultados escolares,
- autonomia no enriquecimento cultural,
- desenvolver uma eficaz cidadania.



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18/12/2010

FOTOGRAFIA DA SEMANA



Iludamos a razão e a visão.

O que vemos é um edifício - Escola - transformado, através do espelho de água no 'nosso Taj Mahal'. Aqui, também há príncipes de vários nomes que se enamoram de princesas, cruzando-se acidentalmente....

O desfecho das estórias não costuma ser trágico, as princesas não morrem. Podem sucumbir às equações matemáticas, aos contratos de leitura, às reflexões filosóficas, às sinapses neuronais, baralhar toda a História e lugares geográficos; podem não saber dissecar uma râ e ainda não foi encontrada a Pedra Filosofal dos alquimistas. No entanto, este edifício (Taj Mahal Ferreira Dias) representa, para muitos alunos que o frequentam, uma das sete maravilhas do mundo, porque aqui se tornam estudantes-pessoas-estudantes- que iniciam a construção do seu futuro, ode ao Amor de uma existência feliz. Eis aqui o Monumento partilhado por aprendizes e seus mestres, nunca esquecido na vida e futuro, que se constrói em cada dia.

E o mundo interior de cada um jamais pode esquecer.
'Taj Mahal- Ferreira Dias': não é uma lágrima solitária no tempo, mas a alegria imensa de antecipação do futuro.

De todos:
Para todos!


Foto. Osvaldo Castanheira - Texto: Mariados Anjos Fernandes

11/12/2010

FOTOGRAFIA DA SEMANA


Para quem ainda não sabia, o 'Pé de Feijão do João', foi aqui plantado, na Ferreira, e é por estes caminhos e escadas espiraladas que vamos subindo e, quiçá, chegar ao topo e colher os frutos - feijões mágicos que não se comem, mas se consomem sob a forma de saberes múltiplos.

Aprender é subir e descer muitas escadas, muitos degraus que se cruzam.
Subimos aos mistérios dos conhecimentos, que não sabemos e devemos descer das vaidades de tudo saber, até à humildade da consciência de nunca passarmos de aprendizes.

E juntos descemos e subimos.... e subimos e descemos.... e aprendemos....

Foto: Osvaldo Castanheira - Texto: Maria dos Anjos Fernandes

07/12/2010

FOTOGRAFIA da SEMANA

A DANÇA Olhemos a irreverência e admiremos a plasticidade dos movimentos destes jovens que, nesta "nossa" Escola, de seu nome Ferreira Dias, dançaram e encantaram na cerimónia de abertura das Comemorações do Cinquentenário. Belos e jovens, seduzem-nos pela alegria e contagiam-nos como se estivessem a convidar-nos para também festejar e dançar. A nossa homenagem a todos eles. Conseguiram dançar e encantar e, em simultâneo, alegrar os nossos corações que, em imaginação, ganharam pés, corpo e alma de 'Nijinsky's'. Todos, com eles dançámos!

Foto: Osvaldo Castanheira - Texto: Maria dos Anjos Fernandes


30/11/2010

O NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO SEM DOR

O Professor de Português, António Pereira, está a realizar um conjunto de Acções de divulgação do Novo Acordo Ortográfico.

Fase 1
a) com folhetos de marketing em relação às principais alterações a afixar em todos os pisos, no placar junto à BE, no pátio dos amendoins e na secretaria;
b) colocação dos folhetos nas mesas da BE e da Sala dos Professores;
c) deslocação a várias salas de aula, a convite dos professores de Português, para apresentar aos alunos, durante um máximo de 15 minutos, um KIT PARA A ACÇÃO, ou seja, informações sobre as principais mudanças e formas práticas de as integrar. Este kit também será apresentado na próxima reunião da Associação de Pais e EE.
Fase 2:
Divulgação a toda comunidade do já referido kit com afixação/distribuição de folhetos e no blogue da BE.
Fase 3:
Concurso sobre as Regras que Mudam , com início apenas na parte final de Janeiro de 2011.
O lançamento deste Concurso, para toda a Comunidade Escolar, em colaboração com a Biblioteca Escolar, está integrado no Domínio da Leitura e Literacia da Informação.
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FEIRA do LIVRO


27/11/2010

FOTOGRAFIA DA SEMANA


DE PARTIDA
Aqui está cada um de nós. A Vida é comparável ao cais de uma qualquer estação aonde chegamos para cumprir um destino e iniciar a viagem. Somos eternos viajantes, sempre a partir e a chegar de nós próprios, para os outros, dos outros para nós. É, é mesmo uma confusão esta viagem, muito pior que a da outra, da mala de cartão, essa tinha destino certo. Mesmo sem o saber foi uma estrela (embora cadente) que brilhou enquanto pôde. Mas nós temos em comum a mala cheia de sonhos, o chegar, ir e vir, chegar e partir, andarilhos errantes. Pensamos que estagnámos no sedentarismo…..

Pura ilusão, continuamos a ser nómadas, à procura de nós mesmos e, quiçá do outro que lá há-de estar, noutro cais à nossa espera.


Foto: Osvaldo Castanheira - Texto: Maria dos Anjos Fernandes