19/06/2012

ATREVE-TE A LER - Crónica vencedora

ATREVE-TE A LER - Crónica vencedora da obra "Intermitências da Morte"


“Roguemos, por favor, não se vá [a morte] embora. Porque a única condição que a espécie humana tem para continuar a viver é morrendo.” – José Saramago

E se nós não morrêssemos?” é essa pergunta que José Saramago fez a si próprio e ao leitor quando escreveu As Intermitências da Morte. Ele reflete sobre o que é a morte, as consequências sociais, políticas e económicas da suspensão da morte num país fictício e, ao mesmo tempo, criticando a sociedade moderna.

A obra começa por relatar os acontecimentos de um país  onde a morte cessou a sua atividade, e, assim, revela-nos várias falhas da sociedade, do governo e da igreja que tentam perceber a situação. O governo que tenta sempre arranjar soluções discretas omitindo as suas ações ao povo. A igreja que, agora sem a morte, perderá sentido. Os gananciosos que iriam aproveitar-se do sofrimento dos moribundos e dos seus familiares para seu proveito. São estes os objetos de algumas das críticas à sociedade que José Saramago tece na primeira parte do livro.

À medida que a história avança, ela toma um rumo diferente do que se esperava. Após se aperceber das consequências das suas ações, a Morte decide retomar a sua atividade, mas com uma diferença. É, então, que a morte, posta face a um problema, começa a ganhar caraterísticas humanas, tornando-se, na segunda parte do livro, a protagonista do livro. A morte encontra-se perante o imperativo de tomar uma decisão, e José Saramago cria o suspense e mantém o leitor agarrado ao livro, pois apenas ao ler a última página do livro é que se revela a decisão da morte.

José Saramago, em As Intermitências da Morte , consegue mostrar ao leitor como a morte é uma parte essencial, embora indesejada, da vida. Nascimento e morte: dois conceitos sem os quais a vida não seria. Um livro em que não falta o humor inteligente e a ironia marcante de José Saramago que, apesar dos assuntos muito dramáticos, irão deixar o leitor com um sorriso na cara. Altamente recomendável.
10C1, Nº11, Daniel Neacsu


Parabéns ao vencedor.

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