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08/05/2013

VER e ESCREVER



Quando L3 e K4, a bordo da nave interestelar OMNIX, entraram na atmosfera terrestre, todos os sensores programados para detetar ‘O Belo’, começaram a piscar, quase entrando em colapso! Os dois tripulantes, atónitos, concentraram os seus índices de partículas interpretativas do insólito no frenesim interativo das máquinas!
Alteraram a velocidade da OMNIX para a função ‘pairar e observar’ e, contemplaram, sem a comunicação telepática das partículas socializantes. Cada um por si!
O que se lhes deparava era muito mais do que esperavam encontrar na galáxia visitada, no pequenino ponto azul, tão longe do seu espaço, quase para lá do Espaço!
Por nada semalhante haviam passado. Mas, não sabemos porquê, conseguiram decifrar os parâmetros dos sensores. O Belo estava por todo o lado, nas nuvens brancas a bordarem aquele azul, na energia multicor das ondas, no pequenino reino encantado suspenso em cascata.
Não tinham bocas para palavras, não tinham olhos para olhar, vinham de um futuro muito distante numa nave tão sofisticada que ninguém a via.
As máquinas não humanas que os alertaram e tudo registaram, cristalizaram pela deteção da beleza.
E em L3 e K4 surgiu uma capacidade estranha: as suas partículas enterneceram!

Foto: Professor Osvaldo Castanheira
Texto: Professora Maria dos Anjos Fernandes

03/04/2013

VER e ESCREVER


Era uma vez uma estória que continua a ser, em que uma menina soube que Deus descansou ao sétimo dia da criação do mundo! Mesmo sem entender muito de Deus, o Não-humano, a estória e respetiva explicação estava aceite para se maravilhar com o que tinha ficado do trabalho dos seis dias anteriores. Na impossibilidade de repetição, o mistério ganha mais consistência quando a perfeição entra pelos olhos dentro e chega, de mansinho, ao coração.
A menina, todas as meninas e meninos, vão pensando na capacidade de imitação para que a inteligência cumpra funções inteligentes e a humanização se exceda em inventar, construir, ‘criar’ sem descanso, numa fração de tempo que ainda, e sempre, será o dia do recostar divino.
Aí está o paradigma da generosidade. Nesta estória, a menina foi pensando que, quem sabe fazer paraísos (olhemos o céu e as nuvens que nele se passeiam e não caem… chegam ou partem com gotinhas para refrescar e lavar o mundo que nenhum guarda chuva tapa na totalidade…), sabe também a superlativa abnegação e a importância de dar a oportunidade ao outro, espelho de nós mesmos. Oh suprema e inimaginável contradição!!! Afinal será o Homem apenas semelhante a Deus – Criador, ou será também o espelho que Deus escolheu para se Re - Ver e contemplar-Se a Si e à Sua obra? Olhemos a ponte a unir duas margens, vejamos as janelas iluminadas por uma luz inventada ou descoberta. Deus e o Homem, o Outro para o outro, para que a diferença mantenha a Identidade de cada um. A menina, muitos outros que sabem a estória, continuam a pensar que talvez Deus tenha decidido descansar e assim permaneça para deixar que o Homem – Criatura possa ser também criador e a beleza não desapareça. 

Foto: Osvaldo Castanheira
Texto: Maria dos Anjos Fernandes

08/03/2013

VER e ESCREVER


Não é em qualquer tempo nem em qualquer parte que poderemos olhar e ver quem ainda é, mas talvez nunca seja, e vê-lo a ‘Ele’, de costas, que já não é, mas sempre há de ser.
Há também os outros, que o guardam, que também foram e voltaram, ou não foram mais do que ‘vultos históricos’ e de pouco alto nos olham ou são olhados.
E depois, parece que parte do mundo saiu à rua ou Largo, para ali estar, ver e olhar. Acima de tudo para receber o azul deste céu- Espaço invejado de qualquer S. Kubrick, se vivo fosse, para outra Odisseia nos contar. A estória vai acontecer num tempo de futuro muito longínquo, tudo está petrificado, mas tudo se move, numa cadência de câmara lenta, em que nada existe, mas tudo está lá.
A culpa é do céu azul que caprichou e não muda de cor. Plúmbeo, amarelo, roxo, rosáceo, de nada valeu aos homens pedra tentarem! A abóbada emitiu um édito galático para nada se mover, para nada ser. Só as memórias de uma viagem salvas e ainda fossilizadas voam de vez em quando, em forma de livro ou folhas soltas, por aquele espaço. Nem os homens pedra, nem as pedras homens as vêm.
Única exceção: numa daquelas pedras-casas está um homem, ainda de carne e osso, que regressa ao passado, faz dele presente e escreve! Heresia… em verso e prosa, nova saga de Bloom, tornado assassino lusitano e Lusíada, que se (des) aventura por terras nunca tão bem contadas, rumo à Índia, que ainda lá está!
G.M.Tavares – não o vemos – espreita de uma janela e, nos intervalos da mirabolante escrita, vai perfilar-se do outro lado do pedestal, para olhar nos olhos ‘Aquele’ que de costas vemos.

Foto: Osvaldo Castanheira
Texto: Maria dos Anjos Fernandes

05/02/2013

VER e ESCREVER


Memórias antigas chegam até nós para nos lembrarem que o Mundo, nos seus primórdios, não passava de um lodaçal. Para os lados de Belém (Portugal, não a natal do rei David ou de Jesus Cristo) onde o rio vai beijando a terra, este lodaçal era tão profano que parecia afogar-se no mar, ilha flutuante de pouco préstimo, nem sequer para os mitos contados da criação!
Como do futuro ainda não tinham chegado memórias de quaisquer Avatar, o lodaçal para ali ficou, pantanoso. Mas o sítio era bom, lá isso era e, algum dia, havia de ter préstimo!
Num outro tempo, anterior à homenagem que Torre havia de ser, um príncipe e outros génios humanos, ambiciosos e visionários, lunáticos, sonharam com o que estava para lá da linha do horizonte, o infinito invisível a olhos só de olhar.
E nem céus com nevoeiro ou mares desconhecidos e por monstros habitados, demoveram vontades, curiosidades ou teimosias!
E então fez-se lei e ordem, éditos, inventaram-se "invenções" de muito préstimo, vieram escravos, ciganos e demais corporações.
Naus e caravelas, espaços e estradas marítimas se fizeram, em tempos de sonho que passaram a ser o eterno Agora na Saga portuguesa - ‘Giesta’ dos Descobrimentos (ou Achamentos?). Mas o homem não é só feito de sonhos e memórias passadas, lembrou-se que havia de preservá-las para que se tornassem eternamente presentes e revividas em símbolos de contar (Lusíadas) ou de agradecer (Torre de S. Vicente de Belém). E um agradecimento foi erguido para relembrar a todos os que futuramente para ela (Torre) olhassem, que os tempos do sonho não residem unicamente num passado longínquo, mas também num eterno agora.
Que o digam estes jovens, encostados à fantasia de poderem sentir em cada batimento do coração, a emoção dos que foram e voltaram e dos que ainda por lá ficaram e por lá estão!

Foto: Osvaldo Castanheira
Texto: Maria dos Anjos Fernandes

08/01/2013

VER e ESCREVER


Tal como está o mundo, não nos atrevemos sequer a duvidar de que tudo pode acontecer. Por isso o que é, pode não ser!
Há uma ponte invisível entre aparência e realidade, entre o que vemos e julgamos existir e tudo aquilo que a nossa mente constrói a partir de uma ordem caótica!
O céu ainda não caiu, mas está suspenso, prontinho a soltar-se e esmagar estes três estrategas do (des)equilíbrio. Mas de que mundos vieram estes entes? Por que fazem acrobacias circenses ou pacificadoras reflexões de yoga?
Estarão mesmo ali, no espaço relvado em que os vemos ou estarão por detrás dos muros, fingindo habilidades para impressionarem apenas as paredes?
E estas paredes que casas de estórias parecem sustentar, não serão também paredes andantes ou voláteis, nas memoráveis e geniais monstruosidades de artista portuguesa?
“Artista”?!!! Imagem de cinema mudo, com ascensão e queda tão rápidas como o foi a corrida do cãozinho para salvar do fogo o Artista-dono, a quem só o Amor real que  ‘arde sem se ver’ conseguiu reanimar!
Artes várias imaginamos ao olharmos o que parece ser. E vamos percorrendo a ponte, não com o nosso andar, mas com o ver, o olhar, o imaginar. Não serão as paredes que nos param, não será porque o céu nos ameaça que desistimos de construir estórias (tal como ‘Ela’ não desiste de as dizer, pintando…) para o caos que nos organiza. Porque é no caos que está o labirinto da existência, porque é no desequilíbrio que estrategicamente nos movemos e aprendemos a existir e a resistir.
 Porque, mesmo na insólita ou necessária diferença entre a aparência e a realidade:
 A relva é verde?
E o céu é azul?
Serão ou não, mas os muros não param sonhos!

Foto: Osvaldo Castanheira
Texto: Maria dos Anjos Fernandes

08/10/2012

VER e ESCREVER


Há horizontes de olhar que são assim: reais e possíveis na realidade de ver, mas que parecem ideais onde deambula o sonambulismo no despertar funcional do sonho.

O cavalinho, por ser de pau, não cavalga as planícies; o menino, de infância estática, não tem esporas que incentivem o seu transporte e o movam nem da terra, nem do sonho.

Só nós, que olhamos como donos da imagem, podemos ter a veleidade de lhes traçar caminhos/rotas em mar de deserto, de estepes, de pradarias ou até no ‘Crescente Fértil’…fértil de colheitas históricas de passados impossíveis ou de cenários possíveis mas improváveis.

Na natureza de duplicidade claro (que brilha como se ouro fosse…)/escuro (sem brilho e que pode refrescar…)fica perdido o nosso olhar ou a vontade de naquele cavalinho cavalgar. Para sermos de eterna infância, para sermos de eternidade, para estarmos onde o sol ofusca sem queimar, para sermos alma ou espírito que voa e busca, para desorganizarmos tudo e sermos rio/destino/foz.

Ah, se este cavalinho fosse uma bicicleta….
Ah, se este menino estático tivesse um amigo…
Ah, se Spielberg os visse ou imaginasse…

Foto de Osvaldo Castanheira
Texto de Maria dos Anjos Fernandes

13/05/2012

FOTOGRAFIA da SEMANA



Ao primeiro olhar lembramos Milos Forman a pensar no seu “Amadeus”. Pensamos nós se foi ‘aquele’ menino a escrever a partitura que estes tocam.
Depois, como a beleza não cansa os olhos, continuamos a olhar e a sentir. Ouvimos os sons deste mar a refletir o céu, ouvimos o silêncio da criação maravilhosa de um reino imaginário, ouvimos o voar mansinho das nuvens e ouvimo-los a eles.
Sentimo-nos a ser levados pela música desta orquestra fantástica que os meninos tocam.
Ali chegaram e ficaram no deslumbrante equilíbrio entre magia e realidade, como num sonho.
Não desviamos o olhar, os sentidos continuam lá.
São os sentidos que despertam para o pensar.
É o pensar que nos leva a outro reino refletido nas águas, reino da Fada Morgana, de Viviane, das protetoras de Guinevere, seus ‘Artures’ ou ‘Lancelotes’,  em  Avalon de mágicos nevoeiros.
Estes sons, por belas metáforas serem, propagam-se no vazio e, do reino das fadas, partem para chegarem a paragens longínquas.
E uma multidão chega. De nós e de outros.
É uma multidão que está.
É uma multidão que vê.
É uma multidão que ouve dentro de si o que o belo despertou.
Então, de repente, ouvindo e olhando, deparamos com Brad Pitt, regressado de sete anos no Tibete, na companhia de um menino.
Partiram do possível. Deixaram as aprendizagens do caos. Conservaram as da Amizade e do Amor.
Sorriem e estão felizes. Como diria Dalai Lama: Depara-se-nos o Nirvana!

Foto: Osvaldo Castanheira
Texto: Maria dos Anjos Fernandes

Postado por Carlos Cotter