27/02/2012

FOTOGRAFIA da SEMANA


          Este Fernando Pessoa não está na Ilha dos Amores.       
     Incógnito viajou e foi avistado por ursos polares, detetado por radares, filmado assim a tremer de frio, com a imaginação congelada num corpo sem nomes, nesta cor e rigidez com que se nos mostra.
     Pessoa- personna- máscara, onde esconde personagens, heterónimos e ortónimos que em teatros de palavras nos deixou.
    Pessoa (s) que em palavras de prosa ou poesia se refugiam para nos falarem numa ‘Mensagem’ muito para além da dor e do Cabo Bojador.
     Pessoas ridículas que escrevem cartas de amor ridículas e se tornam ridículas por pessoas –personnas- de amor serem.
     Este pessoa, como cidadão exemplar, antecipou-se no tempo e emigrou, cumprindo os desígnios do progresso futuro que não verá.
     Tal como está, vêmo-lo na Lapónia, esperando trenós e renas, guiando os meninos para a casa do Pai (Natal de seu nome).
     Também espera outros, aqueles que não sabem que as cartas chegam como o pensamento, através do vento.
     Espera também aqueles que as não escrevem e que, para sempre, serão apenas ‘ridículos’….

Foto: Osvaldo Castanheira
Texto: Maria dos Anjos Fernandes


Postado por Carlos Cotter


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