28/01/2012

FOTOGRAFIA da SEMANA


Nesta pista não está ninguém. Nem de partida, nem de chegada. Já estiveram. Ou todos já partiram, ou ainda ninguém chegou.
É o que acontece com todas as pistas de atletismo. São lugares utópicos, bem estruturados, numerados, medidos, organizados, mas por cada centímetro preenchido há milhões que suspiram por ter a companhia dos atletas que são a sua razão de ser. Pistas e atletas fazem parte de um todo muito fugaz, muito veloz no tempo. Há uma diferença: enquanto as pistas permanecem estáticas, estruturadas e quase sempre vazias, esperando os companheiros, as camisolas, os fatos aerodinâmicos, as bandeirinhas, a assistência, os Carlos Lopes, as Rosinhas do nosso encanto, e as Fernandas e os Mamede e os estrangeiros que não são “Made in Portugal” e dos quais não falamos, os atletas, todos eles, encaram a pista como a miragem que não podem perder. É agora ou nunca, fogem, voam como as aves, ao som de um tiro de partida (oxalá não seja falsa…) para se agarrarem a todas as forças na memória de treinos consecutivos, dolorosos. E depois partem…. E quando chegam, não há uma baga de suor ou dor que não se transforme no prazer de vencer e no amor do receber…
Depois, as ovações merecidas!
Depois o silêncio na pista…..
Depois a solidão da pista, é assim que a vemos, é assim que ela está, à espera.
Nunca desiste.
Não desistas tu também.
Há tanto caminho a percorrer!!!!
        
Foto: Osvaldo Castanheira
Texto: Maria dos Anjos Fernandes


                                                                                                                           Postado por Carlos Cotter

Sem comentários: